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O seu melhor professor é o seu último erro

As expetativas nacionais para este Europeu, atendendo à qualidade dos profissionais que integram a nossa seleção, eram (são) altas. Composta por inúmeros jogadores oriundos de alguns dos principais clubes europeus, a saber: PSG; Manchester (City e United); Liverpool; Barcelona; Milan, alguns outros provenientes de equipas portuguesas que também são grandes - cá dentro - SCP; SLB; FCP e, outros mais, de clubes médios da Premier League ou que lutam por títulos nas Arábias, tinha (tem) tudo para correr bem. Temos, também, um novo selecionador a quem foi dado o benefício da dúvida pela excelência da fase de apuramento, se olvidarmos o nome dos adversários. A acrescentar a tudo isto, na fase de grupos, ficamos com seleções minimamente acessíveis, de países que raramente chegam a fases adiantadas neste tipo de competição. No entanto, logo no jogo inicial, pela nossa falta de intensidade e variabilidade no espaço ofensivo, só substituições (algo) tardias, conseguiram resolveram o problema. Depois, veio o jogo com a Turquia onde tudo nos correu bem. Grande parte da população portuguesa, após estes dois jogos, só questionava a quem ganharíamos a final. É gente menos informada, que não lê jornais e, como tal, não percebeu pelas chaves dos grupos que mais difícil que vencer a final será… chegar lá. Isto, mesmo antes de “os senhores das baguetes” ao não vencerem o grupo deles, nos terem “caído na sopa” também. Veio o último jogo e, já apurados em 1º lugar, ou seja, com tudo para correr bem - poupar os titulares e mostrar a qualidade dos vinte e seis - o selecionador tomando determinadas opções, em meu entendimento, errou. Aconteceu ainda uma derrota, a qual, foi um mal menor. Pior, foi o que se percecionou nas decisões tomadas.

Chegados aos oitavos de final, o selecionador volta a comprometer no decurso do jogo ao decidir substituir o nosso melhor jogador em campo - Vitinha - mantendo alguns outros que, todos viam a olho nu, deveriam ser substituídos. Valeu-nos um jovem “escuteiro” DC (já desta época, portanto) que usando literalmente as mãos, ajudou dois “idosos” companheiros - em manifesta dificuldade na parte final do jogo - levando-os, quase sozinho, para os quartos.

Aqui chegados, apetece-me falar de medicina ao nosso selecionador. Um cirurgião, não opera enquanto não descobrir a exata localização do tumor. E, com um diagnóstico errado, não há quem nos salve. Sabendo isto, vai continuar a seguir a teoria de Samuel Beckett, quando este diz: é preciso errar, mas errar cada vez melhor. Olhe que é altura de começar a acertar, ou não vamos a tempo de calçar “as meias”. Para completar estes pensamentos profundos deixo-o com mais duas verdades:

- Uma de Moliére quando nos diz que “não somos apenas responsáveis pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer”; outra de Ralph Nader quando afirma: O seu melhor professor é o seu último erro. Aprenda com ele para mais logo saborearmos uns belos croissants. Força Portugal.


 

Carlos Mangas

Carlos Mangas

5 julho 2024