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O próximo Ano Santo

Prossigo com a reflexão sobre o próximo Ano Santo ( Jubileu), citando a Bula papal da sua proclamação. 6. A vivência do Ano Santo inclui a celebração digna e frutuosa do Sacramento da Reconciliação, «ponto de partida insubstituível dum verdadeiro caminho de conversão» (Bula n.º 23). «A Reconciliação sacramental não é apenas uma estupenda oportunidade espiritual, mas representa um passo decisivo, essencial e indispensável no caminho de fé de cada um». «Ali permitimos ao Senhor que destrua os nossos pecados, sare o nosso coração, nos levante e abrace, nos faça conhecer o seu rosto terno e compassivo». «Na verdade, não há modo melhor de conhecer a Deus do que deixar-se reconciliar por Ele (cf. 2 Cor 5, 20), saboreando o seu perdão».  «Não renunciemos, escreve o Papa, à Confissão, mas descubramos a beleza do Sacramento da cura e da alegria, a beleza do perdão dos pecados». Nas Igrejas particulares, recomenda, «deve ser dada uma atenção especial à preparação dos sacerdotes e dos fiéis para as Confissões e para o acesso a este sacramento na sua forma individual». 7. A Bula (número 23) refere também a importância da indulgência e do perdão. Indulgência. Escreve o Papa: «O pecado, como sabemos por experiência pessoal, ‘deixa a sua marca’, traz consigo consequências: não só exteriores, como consequências do mal cometido, mas também interiores, pois «todo o pecado, mesmo venial, traz consigo um apego desordenado às criaturas, o qual precisa de ser purificado, quer nesta vida quer depois da morte, no estado que se chama Purgatório». Assim, na nossa débil humanidade atraída pelo mal, permanecem «efeitos residuais do pecado». São tirados pela indulgência, sempre por graça de Cristo, o Qual, como escreveu São Paulo VI, é «a nossa “indulgência”». A Indulgência Jubilar, em virtude da oração, destina-se de modo particular a todos aqueles que nos precederam, para que obtenham plena misericórdia. 8. Perdão e perdoar. Beneficiar da indulgência e ser indulgente. «Uma tal experiência repleta de perdão não pode deixar de abrir o coração e a mente para perdoar». «Perdoar, escreve o Papa, não muda o passado, não pode modificar o que já aconteceu; no entanto, o perdão pode-nos permitir mudar o futuro e viver de forma diferente, sem rancor, ódio e vingança».  «O futuro iluminado pelo perdão permite ler o passado com olhos diversos, mais serenos, mesmo que ainda banhados de lágrimas». 9. Durante o próximo Jubileu, lembra o Santo Padre, completar-se-ão 1700 anos da celebração do primeiro grande Concílio ecuménico, o de Niceia (Bula, número 17).   A propósito, alerta para a importância da sinodalidade na Igreja e da unidade entre os cristãos e manifesta o desejo de que todos os discípulos de Jesus passemos a celebrar a Páscoa no mesmo dia do calendário.  «No Concílio de Niceia, escreve, tratou-se também da data da Páscoa. A este respeito, ainda hoje existem posições diferentes, que impedem de celebrar, no mesmo dia, o evento fundante da fé.  Por uma circunstância providencial, isso acontecerá precisamente no ano de 2025. Seja isto um apelo a todos os cristãos do Oriente e do Ocidente para darem resolutamente um passo rumo à unidade em torno duma data comum para a Páscoa».

Silva Araújo

Silva Araújo

5 julho 2024