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HERÓIS DO MAR (ATÉ VER)

 

 

Há por aí uns historiadores que, por mais argumentos que arranjem, jamais me demoverão de respeitar a História de Portugal que guardo religiosamente. Porque virem dizer que o que nela consta é um rol de aldrabices e aquilo que eles, agora, dizem é a pura verdade, não me convence. Até podem trazer à liça conceitos mal-amanhados de perdão e reparos coloniais, como os propostos pelo nosso atual Presidente da República (PR) cujo “matraquear” não consegue refrear, que não abdicarei da minha portugalidade. 

Quando em outros países se luta, estoicamente, para defender os seus interesses, por cá temos alguns “idiotas” a esforçarem-se por denegrir a imagem da nossa terra sob o comando do Chefe de Estado; daquele a que deveria enaltecê-la em vez de alinhar, como um “catavento”, em tais barbaridades. Sim, porque aquilo que precisamos é de quem ajude o país a recuperar do atraso económico, político e social em que se encontra nesta Europa a 27, em lugar deste pérfido espiar pecados velhos – de há 500 anos – cometidos por ordem d’El-Rei de Portugal. Era o que mais faltava eu ter de pagar as dívidas e, quiçá, barbaridades do meu tataravô. 

Ora, neste 10 de Junho Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades”, que deveria ser um momento de orgulho, reconhecida gratidão e louvor aos nossos heróis do mar entoados (até ver) no nosso Hino Nacional, cuja letra já foi contestada, aquilo que vejo é manipulação da narrativa histórica e desprezo. Fomentados por ideias que até o nosso poeta maior, jamais engoliria. 

Por enquanto, cada fação política vai usando Luís Vaz de Camões, conforme lhe dá jeito. Mas da forma como tudo quanto veio d’antanho está sendo posto em causa, não tardará muito a que o ancestral “copy desk” de base dos “Lusíadas” seja questionado. Ou seja, alvo de um ajuste nos seus cantos e estrofes, ao gosto ideológico desta avassaladora onda que se espraia por aí. Justificando tratar-se de um romantismo delirante, boémio e retrógrada. 

Será que a magnificente escrita do nosso genial, Fernando Pessoa, sobre o mar que tão longe nos levou a dar novos mundos ao mundo, valeu e pena? A julgar pela atual afronta à nossa epopeia marítima dos descobrimentos, a páginas tantas, a Madeira e os Açores seriam, hoje, ilhas espanholas. De pouco valendo ele ter escrito que o sal do mar são lágrimas de Portugal – dos mártires por venerar, dos que em vão rezaram e das noivas que ficaram por casar – para que o mar nosso fosse.

Qualquer dia, por causa do esclavagismo d’outrora, teremos o novo ativismo “woke” a derrubar monumentos que homenageiam as lutas travadas; a atear fogueiras com obras literárias, quiçá, a Bíblia e tudo quanto diga respeito à nossa evangelizadora presença em África e no mundo. 

Assim sendo, nada me admirava se viessem acusar-me de conivência com a ditadura por ter cumprido, de 1969 a 1972, o serviço militar obrigatório. Um contributo pro bono que, à luz da época, me deixou honrado, com a noção do dever cumprido e livre de qualquer reparo pecuniário.

Já agora, com tantos pensadores afoitos a perorarem sobre tanta estupidez, por que razão não se dedicam a pensar na forma de termos melhor saúde, educação, habitação, Justiça, etc.? Porque é que em vez de andarem a carpir o passado, não arranjam maneira de deixarmos de ser os pelintras europeus e em como erradicar a “chuchadeira” da corrupção?

Pois bem, caso se reparem as ex-colónias o caro leitor sabe para onde irá o dinheiro e os objetos d’arte? Ao que sei acerca delas, no caso do “graveto” vai ter às contas bancárias dos seus políticos corruptos. E quanto ao resto, será para decorar as suas mansões. É que desde que aqueles territórios deixaram de nos pertencer, nunca houve um único bem restituído aos portugueses espoliados de lá. Pelo que tudo isto me cheira a “marceladas”. Se calhar, os quatro milhões de euros relativos às gémeas (lb) foi, já, um pagamento por conta ao Brasil. Só faltando, agora, despachar as reservas d’ouro do nosso Banco Central.



 

Narciso Mendes

Narciso Mendes

10 junho 2024