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Cada sociedade sua escola

 

 

Mas a escola não superior tem alguma coisa a ver com a sociologia? Se a escola é a mini sociedade onde se reflete e pode estudar o meio onde se insere, então estamos no campo da sociologia escolar. Para isso é preciso acreditarmos que não há escola neutra; toda ela deve ter um pressuposto social ou, então, limitar-se-á a ser uma simples oficina de oleiro a fazer pucarinhos todos iguais. Neste caso, no caso desta escola de pucarinhos, quem é o chefe da olaria? Naturalmente quem manda nela, no nosso caso, o Estado através dos governos; estes mandam na escola través dos programas que exigem e estes terão de estar sempre de acordo com a filosofia do governo reinante. Foi por isso que a escola ao longo dos séculos foi disputado por reis, imperadores, ditadores e até pela democracia. Quem passa o cheque é quem manda. Por isso sempre pugnamos por uma escola independente do Estado, embora pertencendo ao Orçamento do Estado, como é, por exemplo, com a Justiça. O juiz é pago como funcionário do Estado e, no entanto, é independente do mesmo Estado que lhe paga. Seria a escola da emancipação cognitiva em vez da escola de enlatados. Ora, a escola que já se preocupou com uma formação holística do indivíduo, vê-se, hoje, amputada dessa valência; obrigaram-na a ser oficina de empregados qualificados. A escola, dita antiga, era uma escola de valores. Não se contentava em instruir, era também formadora. Era a escola dos valores: amor a Deus, sacrifício pela Pátria e respeito pela Família. Concordemos ou não, esta escola tinha estes valores como projeto educativo. Era também oficina programada, mas nesta oficina se incluíam os valores tais como: a Pátria era um dever de cidadania inquestionável, o respeito pelo pai, amor pela mãe e solidariedade na ajuda aos mais necessitados. Estes valores vinham nos textos de leitura e eram temas de redação. E esta escola era então uma “fazedora de sociedade” obediente e respeitadora destes valores. Claro que era assim, e agora como é? Longe das lides escolares, mas pai de professoras, oiço as suas palavras quanto à docência que exercem; dela parece-me deduzir que a escola serve apenas para a aquisição de conhecimentos e nada mais; a formação do indivíduo ficou para o seio familiar; esta escola já não enforma, já só forma, tornando-se na tal oficina onde se bate o ferro frio para fazer o molde que encaixe na sociedade da inteligência escolar. E que se faz às outras inteligências? Quem as adestra e valoriza? Buraco negro. Por sua vez a Igreja já não molda consciências ou forma humanismo cristão porque a juventude já lá não vai ouvi-la, nem sozinhos, nem com os pais: a escola de hoje racionalizou o que era fé e, deste jeito, os alunos tornaram-se agnósticos quando não ateus. A sociedade de agora já é assim ou é como foi anteriormente? Há que a sociologia fazer um estudo comparativo para nos dizer como se reflete a escola de agora na sociedade de hoje. O êxito escolar chega para formar um cidadão de bem?



 



 



 



 



 



 



 



 



 



 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

10 junho 2024