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Dia Mundial da Hipertensão. A importância de prevenir, diagnosticar e tratar

Assinala-se a 17 de maio o Dia Mundial da Hipertensão, oportunidade para consciencializar sobre esta doença silenciosa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Estima-se que mais de um bilião de pessoas sofra de hipertensão arterial, sendo esta uma das principais causas de morte a nível mundial, calculando-se em aproximadamente 28000 o número de mortes diárias provocadas por esta condição. Em Portugal o cenário não é muito diferente, com cerca de 43% da população adulta afetada por esta doença. Destes, só 63% tem conhecimento da sua patologia e apenas 32% apresentam valores controlados de pressão arterial. Ou seja, para além da elevada prevalência, há uma significativa percentagem de hipertensos que não sabem que tem a doença e menos de metade tem valores controlados. 

 

A hipertensão arterial é uma condição crónica, caracterizada pelo aumento da pressão sanguínea nas artérias. É, na maioria das vezes, assintomática, o que significa que pode passar despercebida durante anos, causando danos progressivos e, muitas vezes, irreversíveis nos denominados órgãos-alvo: coração, cérebro, rins e olhos. O seu diagnóstico e tratamento precoces são fundamentais, de forma a prevenir a ocorrência de AVC, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca, doença renal crónica, demência e perda visual. 

 

Felizmente, existem medidas simples que podem ser adotadas para prevenir e controlar a hipertensão arterial. Uma das mais importantes é a adoção de um estilo de vida saudável, caracterizado pela prática regular de exercício físico, uma alimentação equilibrada, rica em hortofrutícolas, com baixo teor em sal e gordura, a redução do consumo de álcool, a cessação tabágica e a redução do peso. 

 

Além das medidas não farmacológicas atrás referidas, o tratamento farmacológico desempenha um papel crucial no tratamento da hipertensão arterial. Existem hoje múltiplas opções terapêuticas eficazes e seguras. No entanto, importa realçar que o sucesso do tratamento depende em grande medida da adesão à terapêutica. Um bom medicamento só será eficaz se for tomado regularmente. Este é um desafio comum a muitas doenças crónicas, uma vez que terapêuticas consideradas “para toda a vida” motivam que os pacientes interrompam voluntariamente a terapêutica quando se sentem melhor ou quando experimentam efeitos secundários que os desencorajam a continuar o tratamento. É fundamental perceber que a hipertensão arterial requer um controlo contínuo e que a interrupção do tratamento pode conduzir a complicações graves, muitas vezes incapacitantes e potencialmente fatais. 

 

Os profissionais de saúde desempenham um papel essencial no apoio aos pacientes com hipertensão arterial. Eles podem fornecer orientações sobre mudanças no estilo de vida, esclarecer dúvidas sobre a medicação e acompanhar de perto a evolução da doença. Nada disto será, no entanto, suficiente se os pacientes não se envolverem ativamente no seu próprio cuidado, fazendo perguntas, partilhando preocupações e seguindo as recomendações médicas. 

 

Neste Dia Mundial da Hipertensão, é crucial lembrar que a prevenção e o controle da doença são possíveis. Vigie a sua pressão arterial, medindo regularmente a mesma e procure aconselhamento médico caso os valores estejam elevados (regra geral, superiores a 140/90 mmHg). Em conjunto, podemos fazer a diferença na luta contra a hipertensão arterial e suas consequências devastadoras.

Paulo Gouveia

Paulo Gouveia

17 maio 2024