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“Dividir para reinar”, a Ucrânia e o Chega

1 - Eleições no Horizonte e “dividir para reinar” ).

Um dos segredos estratégicos de base, para a perpetuação (ao menos, para a longevidade) dos regimes democráticos é a aplicação da velha máxima “dividir para reinar”. Parte-se do princípio de que a Verdade é algo de mais ou menos consensual (ao menos para a grande maioria das pessoas de boa vontade). Ora se na arquitectura ideológica (mais ou menos combinada) de cada um dos partidos, fosse permitido a um deles defender e propor a quase totalidade dessa Verdade, esse partido seria eternamente o vencedor; não haveria alternância democrática e arriscávamo-nos a que esse partido desse o passo “fatal” para, apoiado na tropa, evoluir para uma ditadura formal. Assim, cada votante analisa o espectro dos vários partidos concorrentes; inclina-se para 1 ou 2 deles… mas normalmente constata que, apesar de tudo há coisas com que não concorda, às vezes fundamentais. E às vezes, fica na dúvida; e regista que, entre os partidos rivais há um ou dois que, quanto a esse item, também fundamental para o votante, ele é subscrito por outro partido em que à partida não se propunha votar. E até, nem votaria nele. Fica uma certa desilusão; e a sensação de que o “Sistema” está construído para nos enredar e enganar. Então por que é que “o meu partido” acerta em quase tudo e falha naquele ponto fundamental? E assim se aumenta a dispersão de votos por múltiplos partidos discordantes. E se reforça a divisão democrática.

2-A Guerra da Ucrânia, um verdadeiro “elefante no meio da sala”).

Como já uma vez disse, eu desconfio à partida de todos os unanimismos. Parecem sempre, algo de forçado e de falso. Em Fev. de 2022, a Rússia invadiu território ucraniano, na sequência de o problemático Zelenski (que não é bem russo nem ucraniano) ter determinado provocatoriamente que a Ucrânia queria ser admitida na equivocamente chamada “União” europeia; e pior ainda que isso, que queria aderir à Nato, organização que persiste em cercar e hostilizar a Rússia, como se ainda estivéssemos perante algum estado comunista, como era antes de 1991. Nas questões polémicas, diz o Direito que “audiatur una et altera pars” (que sejam ouvidas quer uma quer outra das partes). Ora aqui em Portugal (como na restante Europa ocidental) só é ouvida a versão ucraniana (e profusamente comentada por jornalistas e militares a ela favoráveis). A versão da Rússia não só não é divulgada como os seus vários canais de TV viram a sua emissão proibida desde a 1ª hora. Esta prática nada tem a ver com democracia; e é tomar as pessoas cultas (ou que têm espírito critico e algumas “luzes” de História) tomá-las por burras ou donas de opiniões desprezíveis. E algumas dessas pessoas ofendidas podem não votar nos partidos habituais, conservadores; e vingar-se, votando nalgum daqueles que seja neutro ( ou até favorável à posição histórica de Moscovo). E note-se que a Neutralidade devia ter sido a posição do distante Portugal, a propósito deste conflito. A Espanha foi neutral na 1ª e 2ª Guerras Mundiais e… não se saiu nada mal.

3- A especial posição do Chega, nessa matéria.

Sendo até ao momento, pelo que consta, o Chega, um partido mais ou menos nacionalista (mas moderado), foi bastante estranha a posição tomada por este partido, em 2022, quando foi para a AR com bandeiras da Ucrânia na mão (foi aliás o único que o fez). Isto na mesma data em que na AR insultou Luís Inácio da Silva, o pres. do Brasil, que estava de visita. O apoio a Kieve terá sido por falta de conhecimento da História? Ou foi “moeda de troca”, para o “Sistema” lhe poder conceder certas regalias e autorizações? Não me admirava nada, pois, como tenho dito, a parte secreta da Política (e da História) são com frequência mais importantes que a parte visível. Só que, que figura quererá fazer André Ventura lá fora, quando conviver com os outros líderes da verdadeira Direita, quase todos eles ou neutros ou apoiantes da Rússia? Vai querer “convencer”, dar lições a Marine Le Pen, Trump, Salvini, Abascal, Fitso, Orbán, ou Vucitch (da Sérbia)? Ou a outros lideres de fortes partidos direitistas na Áustria, Holanda ou Suécia? Enfim, uma indisciplina, uma problemática e ignorante dissidência de fundo; que até lhe poderá em casa, trazer mais votos… Mas que, a curto prazo poderá acarretara desclassificação do Chega como partido nacionalista verdadeiro. E enfim, ser um partido como os demais, do “main Stream”, do “centrão”. Ando curioso de saber como este magno, decisivo assunto evoluírá.

Eduardo Tomás Alves

Eduardo Tomás Alves

13 fevereiro 2024