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A caminho da Páscoa, a caminho do Jubileu

Ser cristão é ser imitador, imitador de Cristo. Portanto, como Ele fez, façamos nós também; como Ele orou, oremos nós também (cf. Jo 13, 15).
Além de orar a Jesus, somos chamados a orar como Jesus. Em prejuízo do próprio descanso, Ele ia para locais ermos a fim de se dedicar à oração (cf. Mc 1, 35).

Eis a referência suprema para o Ano de Oração instituído pelo Papa Francisco como preparação para o Jubileu de 2025.
Estamos num ano «dedicado a descobrir o grande valor e a absoluta necessidade da oração: da oração na vida pessoal, na vida da Igreja, na vida do mundo».

Este apelo pressupõe que muitos de nós ainda não descobriram tal «valor» nem tal «necessidade».
Falta perceber que, sem oração, a acção pode não passar de agitação. É possível que mobilize e agregue, mas não entranha, não transforma e não cativa.

4. Sem oração, não conseguimos mostrar a diferença cristã relativamente ao padrão ruidoso e à matriz palavrosa dos tempos que atravessamos.

No limite, podemos passar uma vida a falar de Deus e a cantar a Deus sem nunca termos chegado a escutar Deus.

5. O Jubileu do próximo ano – o vigésimo sétimo da história – vai envolver um conjunto de realizações cuja densidade só será digerida com um forte respaldo orante.

Coincide, aliás, esse Jubileu com os 1700 anos do Concílio de Niceia – o primeiro ecuménico –, fundamental para a proclamação da divindade de Jesus e para a datação da Páscoa.

6. Neste tempo de violência e intolerância, a vivência de um jubileu, nas palavras do Santo Padre,  avulta como «um tempo de graça para experimentar a misericórdia de Deus e o dom da Sua paz».

Hoje, são «tantos os sofrimentos que provocam desespero não só nas pessoas directamente atingidas, mas em todas as nossas sociedades». 

7. Os jovens, «em vez de sonhar um futuro melhor, com frequência sentem-se impotentes e frustrados».

Diante da «obscuridade deste mundo que, em vez de diminuir, parece crescer, o Jubileu é o anúncio de que Deus nunca abandona o Seu povo».

8. Para a sua preparação, o Sumo Pontífice aponta um mestre ou, melhor, uma mestra. «Que melhor mestra poderíamos ter do que a nossa Santa Mãe?» 

Por isso, «coloquemo-nos na Sua escola: aprendamos com Ela a viver cada dia, cada momento, cada ocupação com o olhar interior voltado para Jesus».

9. Assim sendo, o Jubileu projectará uma vida renovada para lá do seu termo. Mais do que um «evento», estamos perante um «itinerário» fortemente inspirador.

A caminho da Páscoa, somos convidados a optimizar a oração intensa e libertadora. Nela, sentiremos que, «através do deserto, Deus guia-nos para a liberdade».

10. Está na hora de arriscar. Também de arriscar orar com mais intensidade, serenidade e silêncio.

Apesar de tudo, «não estamos numa agonia, mas num parto; não no fim, mas no início». Não o desperdicemos!

João António Pinheiro Teixeira

João António Pinheiro Teixeira

13 fevereiro 2024