twitter

Firmes!

 

 

As próximas eleições antecipadas suscitaram muitas dúvidas em muitos dos que têm acompanhado e se têm envolvido nas iniciativas em curso ou pensadas para celebrarmos a Festa da Democracia e homenagearmos consequentemente as mulheres e homens que estiveram na Oposição ao Estado Novo. Então, isto muda tudo? – perguntava há dias um dos mais recentes membros da Comissão Promotora de Homenagem aos Democratas do Distrito de Braga. A minha resposta foi clara: pelo contrário, caro amigo, pode dar mais trabalho, mas estamos cada vez mais empenhados no que estamos a desenvolver. Assim é, por muito “sound byte” que se possa produzir em torno da pré e da campanha eleitoral, as dezenas de pessoas que, afincadamente, estão empenhadas em desenvolver um programa que se quer transversal e inclusivo, não vão claudicar nem pensar em qualquer intervalo. Podemos afirmar, com toda a certeza, que à campanha eleitoral o que é da campanha, à homenagem e às comemorações do 25 de Abril o que por justiça lhe é merecido. Estamos a trabalhar na mobilização das mulheres e dos homens bons que acreditam na justeza do projeto a que decidimos chamar “Memória e Liberdade”. Sintetizamos, desta forma, a marca da nossa ação coletiva, não perdendo de vista a relação intergeracional subjacente a este projeto, tão necessária como estratégica para o futuro da nossa Democracia. Sem memória, as nossas referências tornam-se numa ilusão de antanho, facilmente se perdem e se confundem com os dias que passam. Com ela defendemos e podemos transmitir aos mais novos a importância e o valor de viver em Democracia e em Liberdade. Se alguém ainda tem dúvidas e acha que deve haver uma pausa para a campanha eleitoral, é bom clarificar que tal não vai acontecer, pelo menos da forma como alguns acham. Haverá, com certeza, alguma contenção, dado que muitos de nós são pessoas politicamente ativas e vão querer e bem envolver-se na defesa das suas causas partidárias, mas é só. A programação contempla um sem número de iniciativas que os diversos grupos de trabalho estão a preparar, desde logo, para que não haja excluídos na homenagem que queremos que seja a mais envolvente de todas as festas já realizadas em torno do 25 de Abril. Inauguramos este preito com os militares através de duas conferências e uma homenagem ao Capitão de abril, o Coronel Rui Guimarães. Seguem-se os sindicalistas, em dezembro, cuja ação, em plena ditadura, foi fundamental, para a mobilização do mundo operário. Quem não se lembra do trabalho incessante em toda a zona do Vale do Homem ou em Braga, onde, a título de exemplo, uma mulher liderou a primeira greve na Grundig, em 1973. Em janeiro, será a vez dos sacerdotes e não foram poucos; também eles com um papel incansável, ainda que limitados na sua ação, foram preponderantes através dos movimentos operários católicos. Chegados a fevereiro, será a vez dos advogados, espinha dorsal da oposição ao fascismo, terminando em março com um outro grupo fundamental, o dos comerciantes que, talvez, para surpresa de alguns, não foram assim tão poucos, a arregaçar as mangas de camisa. Pelo meio destas homenagens, muitas conferências, exposições e iniciativas de índole diversa, desde os livros, ao teatro, à música e ao cinema, farão parte de um programa rico que terá uma incidência particular nas escolas, através da rede de bibliotecas escolares e públicas. Não querendo adiantar o que em breve será tornado público, destaco, neste momento, a transversalidade territorial e a mobilização local como excelentes ingredientes para o sucesso deste trabalho coletivo que iniciamos a 2 de maio de 2022 e que terminará precisamente a 2 de maio de 2024. Estão reunidas as condições, a nosso ver, para, respeitando o espaço dos partidos políticos e a sua ação política, trabalharmos em prol da Festa da Democracia. Esperamos, sim, que aqueles que legitimamente se vão envolver em campanha, acarinhem e se envolvam nas diferentes iniciativas, de modo que haja um sinal claro de que o país e a região, não vão claudicar e não aceitam a radicalização, o extremismo ou qualquer outra forma de exclusão política. É hoje claro, para todas e para todos, que a Democracia chama por nós e nos pede que de forma crítica e postura proativa, façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para debelarmos os seus pontos fracos, dado que o fortalecimento dos seus pontos fortes continuará a fazer o seu caminho, apesar de todas as dificuldades e receios. Em síntese, poderíamos sintetizar o modo de estar e de ser desta Comissão deste modo: Não há Democracia sem Memória, não há liberdade sem consciência política.

Paulo Sousa

Paulo Sousa

26 novembro 2023