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Direito à indignação

 

 

 O IUC, vulgarmente conhecido pelo imposto de selo dos automóveis, é um desafio à pobreza. Não me venham com história de bondade para a natureza, porque só come esta pulha quem quiser comê-la. A verdade é esta: os pobres que paguem. Isto é tão pulha como pagar os sacos transparentes nos mercados, sejam eles mini ou de grandes superfícies. É uma maneira de explorar os já explorados. Com que triste sina nasceu o mexelhão. Isto, vindo de um partido que se diz socialista, é de pasmar! Meteram uma vez mais o socialismo na gaveta. Lembrando Mário Soares, todo o cidadão tem direito à indignação. Eu, que sou dos que têm um automóvel há vinte e três anos, que nunca lhe faltei com a vistoria, que sempre o levei à inspeção anual, que olhei para as reparações como princípio de conservação, colho como prémio pagar uma taxa maior. Eu não vou pagar o IUC, vou andar com o meu amigo de 23 anos, companheiro de préstimo para necessidades domésticas, como se o tivesse pago; quando for multado pela polícia de trânsito, vou deixar ir para tribunal e só lá, se o juiz entender que isto não é uma indignação, então pagarei ou serei preso por falta de pagamento. Mas nós, os donos de carros velhos não somos milhões?! Eu não digo, para que eles não digam, que estou a apelar à desobediência civil; estou a dizer o que, a título pessoal, vou fazer. Você fará como entender mas lembro-lhe que também tem direito à indignação. Se quisermos todos fazer dessa indignação um direito, não sei quantos automóveis vão ser multados e quantos tribunais se não entupirão com esta multa por causa desta maneira de fazer indignação. Não façam isto porque eu vou fazer, mas eu não me importo que me copiem; ficarei até um pouco vaidoso embora o mérito seja todo vosso. É que a indignação deste IUC é de tal maneira abusiva e discriminatória que eu vejo a raiva nos olhos de todos; se sente o mesmo, se é assim que sente este IUC, então proteste a sua indignação, desta ou de outra qualquer maneira. Eles têm de saber que estamos indignados; depois, logo se verá o preço a pagar pelo uso desta indignação deste país socialista. Não estou a fomentar qualquer desobediência civil, estou apenas e só a dizer o que pessoalmente entendo por indignação, agora não posso proibir que outros façam da sua indignação um protesto semelhante. Somos milhões, repito. Caberemos todos nas cadeias portuguesas? Em que tempo os tribunais vão julgar esta indignação? Não terão de fazer uma nova edição de papeletas para passar as multas?! Depois ficamos a saber, por Marques Mendes que a frota automóvel em uso no estado é maioritariamente velha, daquela velhice que deveria pagar IUC; mas o estado não paga multas e, então, há luz verde para a velhice da sua frota, e ela pode circular sem IUC. Porquê? Ora por que no entender dos governantes estes veículos velhos são especiais: não atentam contra a preservação da natureza. Não poluem, criam oxigénio. Se nos disserem como isso se faz, nós também faremos o mesmo nos nossos chaços. Que exemplo magnífico para os velhos, que têm carros velhos, esta descriminação nos dá!!!! Isto dá mais ou menos indignação, ou resignação. Eu indigno-me. E tenho ou não direito a ela? E você? 

 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

30 outubro 2023