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DESDE QUE ME CONHEÇO…

 

 

Sempre ouvi falar no conflito, no Médio Oriente, entre a Palestina e Israel. Digo-o porque enquanto em Portugal, há 75 anos, vinha ao mundo uma geração à qual pertenço, naquela zona do mundo nascia o Estado de Israel. Segundo é dito, contra a vontade do povo palestiniano. Pelo que, a partir daí, nunca mais houve sossego devido aos mútuos ataques, de forma reiterada, até aos dias de hoje.

Ora, cansados de terem sido perseguidos e martirizados na 2ª. Guerra Mundial, em cujo holocausto pereceram cerca de seis milhões, os judeus sentiam a necessidade de encontrar um poiso definitivo. O que – depois de alguns acordos, internacionalmente, celebrados – lhes viria a ser concedido, em 1948, parte de um território (nunca consensual) na Palestina, assentando, aí, arrais até aos dias de hoje. 

A meu ver, foi a partir da criação do estado de Israel que os senhores do Islão, que gravitam à sua volta, se têm servido dos palestinianos não para fundarem um estado da Palestina, soberano e livre, mas para erradicarem Israel dali. Talvez por este país lhes ter estragado o plano de fundarem, naquela zona do globo, uma poderosa nação árabe. Ou seja, varrerem com todas as religiões de culto, banindo a civilização judaico-cristã, verem-se livres da vigente democracia israelita e implantarem um Estado Islâmico, cujo Alcorão passaria a ser a sua constituição e a Sharia a sua ordem social.

Muito tenho ouvido e lido dos entendidos na matéria, porém ocorre-me sempre a minha fé e a Europa em que vivo. A qual, apesar dos defeitos, me permite ser livre. Depois, fico perplexo sempre que vejo a clivagem pender para o lado das vítimas na Faixa de Gaza e muito pouco para as do povo judeu. Mas o que mais me intriga é a narrativa de que os palestinianos é uma coisa e o Hamas outra, quando aqueles permitem que este grupo terrorista seja o seu braço armado na sua própria terra.

É que eu nunca vi nenhum palestiniano a barafustar contra o Hamas. Talvez porque alguns deles, também, integram as suas fileiras. Se assim é, em que ficamos? Não é de Gaza que partem as dezenas, ou centenas de roquetes para destruírem o estado israelita e o povo judeu? E o direito internacional só serve para um lado? É que ao dizerem que Israel tem o direito a defender-se, será que está inibido de agir e ripostar, já que segundo se diz, quem faz a guerra dá e leva. Quer-me parecer é que toda a lengalenga à volta da questão da mortandade, não passa de uma estratégia para prosseguirem a islamização da opinião pública. 

Basta vermos a controvérsia que vai aqui em Portugal entre alguma esquerda e a direita. Enquanto esta faz por enaltecer o facto de Israel ser um estado livre e democrático, sem censura, com eleições livres, direito de opinião e apoiado por estados democráticos, a outra dá isso de barato. Ignorando o facto do Hamas, há cerca de 20 anos, movimentar-se em Gaza sem tolerar ideias contrárias às suas a ninguém. E quando as há, logo trata delas e de que maneira. No entanto, parece-me ser esse o regime político que mais agrada a alguns setores da política portuguesa.

Oxalá me engane, mas duvido se com a criação do estado da Palestina, contíguo a Israel, será a solução para o apaziguar os ânimos. Sete décadas e meia de agressões mútuas não favorecem nada o romantismo de uma paz duradoira, dado que de um lado e de outro não se suportam. Odeiam-se. Infelizmente é assim e continuará a ser. E não é por o luzo, Guterres, falar em vácuo; nem o turco, Erdogan, dar a entender que os fundamentalistas do Hamas, o Hezbollah, a Jihad e companhia não são terroristas, mas movimentos de libertação, que irão andar aos abraços. 

De uma coisa sei, em Israel encontro valores que defendo. Já nos outros estados vizinhos só vejo fanatismo, intolerância, sede de vingança e morte. Cujo principal vértice do terror provém da Al Qaeda, cuja ação visa ataques surpresa a incautos inocentes. Sempre amparada por certos países da corda e pela cegueira ideológica de quem os governa. 

 

 

Narciso Mendes

Narciso Mendes

30 outubro 2023