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Solidariedade Intergeracional – Reciclar o Futuro

 

 

Um dos temas mais complexos da solidariedade intergeracional é o do Ambiente. Sendo certo que as gerações mais novas conseguiram «educar», paulatinamente, as gerações mais velhas para as complexas interações das quantidades de resíduos produzidas, e necessidades de separação a destino final dos resíduos produzidos em casa, temos assistido a uma evolução positiva no que se enquadra no pensamento «pensar global, agir local».

A BRAVAL, empresa multimunicipal responsável pela separação e tratamento de resíduos recicláveis dos Concelhos de Braga, Amares, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro, Vieira do Minho e Vila Verde (agir local), tem o cuidado de alertar os habitantes dos seus Municípios para a necessidade de separarem e depositarem os resíduos recicláveis com mais cuidado nos ecopontos corretos em diversas campanhas e artigos publicados nos jornais regionais. O sistema de recolha seletiva tem vindo a aumentar o seu raio de ação e almejado aumentar a quantidade de recolha de vidro, papel e plástico, ainda que de forma insuficiente, para os objetivos definidos na diretiva europeia para o País (agir global).

Segundo números da Braval [1], em 2022 foram recolhidas mais 129 toneladas de resíduos face a 2021, sendo o aumento de apenas 0,7%. Ainda que se deva felicitar e incentivar os habitantes que contribuíram para este aumento, os resíduos indiferenciados aumentaram em todos os seis municípios, sendo o aumento global 1,1%, ou seja, reciclamos menos. Ainda assim, a Braval estima que dos resíduos acolhidos em aterro «cerca de 40% são resíduos recicláveis, ou seja, mais de 43 mil toneladas, que ficam sujeitas ao pagamento da Taxa de Gestão de Resíduos (TGR)». Tal como podemos aferir nas nossas faturas de água, a TGR tem vindo a aumentar anualmente sendo que o valor era de 10 € por tonelada em 2019 e em 2025 passará a 35 € [2]. Significa isto que estaremos a pagar cerca de 1 milhão e 500 mil euros ao Estado por não estarmos a reciclar convenientemente. Refira-se que o concelho de Braga representa cerca de 80% deste valor.

Dados recentes da PORDATA [3] indicam que Portugal é o quinto país com a taxa de reciclagem mais baixa da União Europeia com apenas 30% dos resíduos municipais reciclados, tabela liderada pela Alemanha com 71%. 

 

Como objetivo para a reciclagem de resíduos urbanos, a UE propõe uma percentagem total de 55% em 2025, 60% em 2030 e 65% em 2035. Estamos muito longe desse objetivo e a caminhar lentamente para lá chegar, pelo que iremos pagar nas nossas faturas o preço desta lenta evolução, a menos que mudemos o paradigma e substituamos o princípio do poluidor/pagador pelo princípio do reciclador/recebedor.

Os resíduos que não são recicláveis, podem também ser alvo de uma melhor gestão. A Braval está em vias de implementar uma nova recolha seletiva de resíduos, os resíduos orgânicos. Segundo a Braval, “Quase 90% do lixo que se produz numa habitação deriva do processamento de alimentos: restos orgânicos e embalagens de alimentos. Os resíduos orgânicos podem ser valorizados por compostagem (produção de adubo orgânico) ou por digestão anaeróbia, para a produção de energia.” É nesta nova seleção de resíduos que vamos apostar atualmente, o que, também segundo a Braval, vai permitir a diminuição da Taxa de Gestão de Resíduos a ser cobrada aos habitantes dos concelhos referidos.

1 https://www.braval.pt/index.php/comunicacao/156-2022-recolha-seletiva-de-embalagens-aumentou-0-7
2 https://www.apambiente.pt/residuos/valor-da-tgr
3 https://www.pordata.pt/Europa/Taxa+de+reciclagem+de+res%C3%ADduos+municipais-3607

Sérgio Gomes

Sérgio Gomes

Sérgio Gomes

Mário Queirós

29 outubro 2023