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A dívida pública a descer. Portugal um bom exemplo...!

 

 



 


1 - Eu aprecio muito os economistas. Gosto de os ouvir analisar a conjuntura político-económica. Aprende-se muito com eles. Gosto de os ver a projectar cenários. Micro-económicos e macro-económicos. A estabelecer relações de funcionamento económico e financeiro, abordando as questões, por exemplo: políticas monetárias, inflação, políticas salariais, crescimentos, recessão e estagnação, défices, carga fiscal, custos energéticos, PIB, endividamentos. Desorçamentações e taxas de juros. Ainda produtividade e competitividade. Também avaliações homólogas e em linha. E em cadeia. Tudo inserido em teorias e em percepções, porque as realidades são normalmente outras. Mais cruas, mais emaranhadas, mais imprevisíveis. 

 


2 - Para tentar aclarar o entendimento dos interessados como eu, a construção linguística, sempre muita ortodoxa, mesmo para os entendidos, é um fenómeno que se espelha nas projecções sabiamente elaboradas, mas que falham muitas vezes. Para remediar as projeções, aplica-se, de tempos a tempos e metodicamente, a velha receita do “apertar o cinto” ou a famigerada austeridade para se ter “contas certas” que nunca estão certas. Ou aquela em que simplesmente se propala “não há dinheiro”. Este governo, sempre criativo “inventou”, para as “contas certas”, as cativações, uma maneira pacóvia de querer enganar o papalvo.

Quando a UE quer uma economia expancionista, encoraja o BCE a pôr a rotativa a laborar 24 horas por dia. Com “ofertas” - PPR’s - e com injecções de dinheiro nos mercados, a economia funciona em pleno, com crescimentos significativos (?) que geram mais consumos e como consequência a inflação ganha corpo. Mas, toda a gente anda feliz da vida. Melhor, andava!

 


3 - A política económica adoptada em Portugal fundamenta-se nas esmolas da UE e no endividamento. No excessivo endividamento do Estado, das pessoas e das empresas. São 804,1 mil milhões de euros, não contando a dívida financeira para o bolo. É mesmo muita dívida! As dívidas fazem parte da democracia e a democracia ajustou-se às dívidas. E com propaganda é melhor! E como as dívidas não são para se pagarem, mas serem geridas - visão neo-socialista - a economia lá vai caminhando em ciclos de crise, em que a recessão e a estagnação alternam com crescimentos anémicos que nada resolvem. O que importa é que a economia “vai funcionando”, mesmo que seja aos trambolhões. E com mais endividamentos. Agora com supostos pagamentos. Sem amortizações, claro. Isso não importa. Só para se ter uma noção do que se passa neste país, a dívida pública, na argumentação socialista, na oposição, era um desastre em 2015. Em Agosto de 2023, chegou-se a 366,2 mil milhões de euros no sector público (administrações e empresas públicas). Agora, no poder, só a desvalorizam e espalham a “boa notícia” que a dívida está a descer! Contas feitas, só têm descido, para cima, muitos milhares de milhões de euros! Em juros é uma calamidade! Ainda afiançam que o país está melhor! Incrível?!

 


4 - Quando o Estado (governo) tem os cofres depauperados o que faz para manter a chama da ilusão? Resposta: Diminui os impostos directos e carrega nos impostos indirectos. Para disfarçar e iludir. Desta maneira “sábia”, a carga fiscal nunca foi tão pesada! Quando os Bancos se viram nas lonas, o que fizeram? Resposta: Criaram comissões, aumentaram o custo dos serviços prestados, não pagam juros decentes e despediram funcionários com encerramento de balcões. Tudo muito simples. E muito eficaz. Para usar estas políticas imaginativas de “buscar o dinheiro aos bolsos dos contribuintes ou dos clientes”, não é preciso ter canudo económico para as incrementar nem para apresentar, no final, bons (?) resultados. O problema é que esta política de confisco fiscal e de saque bancário tem gerado um modelo económico estagnado e de pobreza social com efeitos de pescadinha de rabo na boca. Ou seja, não se sai desta roda. Ou da cepa torta, como diz o povo. Nem com as ajudas abismais da UE isto melhora!

Como não há nada que a propaganda não faça e como somos uns “anjolas” que acreditamos em tudo, engolimos as tretas do virar a página da austeridade e de outras do mesmo quilate, como a dívida está a ser paga, deparamo-nos agora com um SNS em completa exaustão. Também em sofrimento atroz. Mas, carregado de dinheiro. Pelo menos, orçamentado.

 

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

29 outubro 2023