twitter

Implementar o Acordo de Oslo para obter a paz no conflito israelo-palestiniano

Shimon Peres foi a última figura da geração dos “pais fundadores” de Israel.

 

Depois de uma vitória eleitoral, em junho de 1992, o partido Trabalhista de Israel pôde formar uma coligação dirigida pelo primeiro ministro Ytzhak Rabin, já sem a participação do Likud. A política do governo de Israel manifestou então, com clareza, o desejo de uma reconciliação com os palestinianos, com a Síria e com os restantes países vizinhos, sendo que a resposta árabe foi, na opinião dos comentadores de então, “surpreendentemente positiva”. Nos princípios de 1993, sob a liderança de Rabin e no desejo de uma relativa boa vontade, o ministro dos negócios estrangeiros da Noruega, Johann Holst, promoveu conversações de paz, altamente secretas, entre o governo de Israel e a OLP, sem qualquer envolvimento americano. Segundo Jimmy Carter, presidente do EUA (1977-1971), no seu livro “PALESTINA – Paz, Sim. Apartheid, Não”, Shimon Peres, então ministro dos negócios estrangeiros, realizou mais de doze reuniões, a maioria delas em Oslo, com uma delegação enviada pelo líder da OLP (Yasser Arafat) e encabeçada por Mahmud Abbas. 

 O acordo, celebrado na Casa Branca, na presença do presidente, Bill Clinton, foi seguido de discursos de ambos os líderes (Rabin e Arafat) a favor da paz. O acordo estabelecia uma retirada faseada das forças militares Israelitas da Margem Ocidental, estabelecimento de uma autoridade governamental palestiniana, um período transitório durante cinco anos para serem negociados as questões mais difíceis e específicas.

 Em setembro de 1993, Arafat, em carta dirigida a Rabin, e para fazer parte do acordo, reconhecia o direito de Israel a viver em paz, renunciava à utilização do terrorismo e a outros atos de violência.

 Nos tempos seguintes ao acordo, surgiram fortes reações por parte de elementos radicais de ambos os lados, sendo que, em novembro de 1995, Ytzhak Rabin viria a ser assassinado por um fanático religioso da direita israelita.

 Bill Cliton, nas suas memórias (A MInha Vida), faz a seguinte confissão:

“Shimon Peres veio avistar-se comigo, pela primeira vez como primeiro ministro, para reafirmar a intenção de Israel de entregar Gaza, Jericó, outras cidades importantes e 450 aldeias da Margem Ocidental aos palestinianos pelo Natal e de libertar, pelo menos, mil prisioneiros palestinianos antes das próximas eleições israelitas”.

Rabin, Peres e Arafat viriam a receber o Prémio Nobel da Paz pelo acontecimento histórico que representou o acordo de Oslo.

Com o abandono de uma política de abertura, relativamente à questão palestiniana, iniciada por Rabin e Shimon Peres, os governos que lhes seguiram colocaram o Estado de Israel numa posição de cada vez maior isolamento perante a comunidade internacional. Para tal contribuiu decisivamente a sua política de ocupação de território palestiniano, através da criação de um cada vez maior número de colonatos. A intenção de cercar Israel com muros de vedação, alegadamente para evitar incursões de palestinianos e cidadãos de outros países vizinhos, é sugestiva. A comunidade internacional espera que o povo israelita se aperceba que está a ser enganado pela demagogia quando os seus políticos lhes prometem paz através de uma política de “mão de ferro”, sem refletir no modo como a capacidade de sofrer dos oprimidos, por vezes, é maior e mais persistente do que a dos opressores.

 Seria desejável que a comunidade judaica nos EUA e na Europa, há muito num dilema moral gerado pela escandalosa opressão de um povo, passe à ação, não se cale, ajudando aqueles que desejam que a paz prevaleça em Israel. Nesse sentido, importa tomar medidas para que, neste atual impasse caótico, se possa implementar uma política diferente das dos governos que se seguiram a Ytzhak Rabin e Shimon Peres, o mais rapidamente possível, ou que seja eleito um outro governo que queira realmente a paz e a prosperidade, não apenas para israelitas, mas também para palestinianos. 

Narciso Machado

Narciso Machado

26 outubro 2023