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Os dez anos de oposição socialista

Os últimos dez anos desta cidade são claramente um salto qualitativo importante para a nossa população. Se não fossem os resultados eleitorais a confirmá-lo, temos também o resultado dos último Censos onde Braga não só se destaca para melhor em relação a outras cidades, mas também pelo facto de ter crescido em contraciclo com o que se passa em Portugal. 

Apesar do grande constrangimento financeiro devido ao pagamento do estádio e dos relvados sintéticos que consumiram sempre metade do orçamento municipal anual, o salto qualitativo de Braga, devido às políticas municipais de índole económica, cultural, ambiental, fiscal, desportiva, ecológica, transportes, histórica, turística e social, é inegável e motivo de reconhecimento municipal, nacional e internacional como é sobejamente sabido. 

Claro que Braga padece ainda de muitos problemas, sendo a mobilidade um dos mais sérios, fruto do seu crescimento casuístico e sem planeamento desde 1976 até aos seguintes 37 anos. Isto sem esquecer o crime da destruição da Bracara Augusta pelos negócios imobiliários, perpetrados também naquele tempo. A recuperação possível deste património de incalculável valor e as melhorias da mobilidade, ambas em curso, só se conseguem com tempo e dinheiro. 

No entanto, os últimos dez anos também correspondem a dez anos de oposição do pós mesquitismo.

Aí Braga merecia mais e melhor da oposição socialista neste concelho. A oposição não serve apenas para o “bota abaixo”, mas para apontar caminhos alternativos, para dizer como se faria melhor, quais as propostas diferentes que tem para o concelho e também para reconhecer os erros no passado quando esteve no poder e como se propõe corrigi-los. 

Ora nada disso é feito por esta oposição, que pouco mais faz, durante estes dez anos, do que ser megafone do escrito por alguns nas redes socais, com um falta de imaginação gritante sobre o caminho e a direção que quer para Braga. Senão vejamos: a atual situação do cinema S. Geraldo, que urge resolver, foi unicamente tomada para impedir que aí fossem construídos apartamentos e um espaço comercial. A oposição que na altura não deu nenhuma solução viável, vem agora dizer que naquela época faria o totalmente impossível: que o senhorio ficasse, à partida, obrigado no contrato a vender futuramente o imóvel ao município. Se a oposição fosse poder o S. Geraldo seria hoje um espaço de habitação e de comércios privado, por falta de acordo com o proprietário.

Outro exemplo de falta de competência da oposição socialista: os atuais constrangimentos de mobilidade da cidade. A oposição em vez de vislumbrar as obras prontas, tenta cavalgar alguma onda do inevitável e temporário descontentamento popular pelo transtorno das obras, apresentando como única alternativa as obras do túnel serem feitas à noite o que, além de tornar a obra mais cara, não serviria de nada porque é impossível passar um único carro de dia ou de noite enquanto as mesmas durarem. 

Convenhamos que é mau demais para ser verdade! 

A oposição socialista, quanto ao Parque das Sete Fontes, critica a morosidade do processo sem penitenciar o executivo socialista anterior que aprovou a viabilidade construtiva e até uma estrada, sendo esta circunstância, face às leis que temos, o verdadeiro motivo da demora. Além de não dizer como se faz melhor até parece, pela maneira como o referiram, apontar outro terreno perto da BOSCH – que o atual executivo colocou no PDM como mais um parque verde – como alternativa às Sete Fontes. Será que se regressassem ao poder fariam voltar à opção original socialista, uma espécie de Vale de Lamaçães ? 

Sobre o Nó de Infias, agora da responsabilidade do governo, nem uma palavra, talvez envergonhada pelas prestações de dois péssimos ministros das Infraestruturas do PS que Portugal teve o azar de ter e tem: Pedro Nuno dos Santos seguido de João Galamba.

Aliás, se as obras no Nó de Infias não começarem após as obras do túnel da Avenida da Liberdade, pessoalmente entendo que deverá ser exigida uma tomada de posição muito clara da população de Braga face ao governo. 

E que pode a população pensar de uma oposição, que depois de prometer um trabalho em prol do concelho, vai para lugares mais apetecíveis em Lisboa não cumprindo até ao fim o mandato que os bracarenses lhes deram?

É por estas e outras razões que esta oposição terá de continuar no local onde está durante os próximos 14 anos. Pensando bem, até tendo estado 37 anos no poder e sendo como é, deverá ter pelo menos outros tantos anos de oposição para bem de Braga e da nossa população. 

Joaquim Barbosa

Joaquim Barbosa

25 outubro 2023