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O mundo e o país

O dia 7 de outubro de 2023 é uma data data que viverá na infâmia, com o ataque terrorista do grupo palestiniano Hamas a civis em Israel, invadindo o seu território a partir da Faixa de Gaza, assassinando sem piedade e sequestrando civis, usando-os para servirem de escudos humanos, lembrando  o "Dia da Infâmia" declarado por Franklin D. Roosevelt, o 32.º presidente dos Estados Unidos, em sessão conjunta do Congresso em 8 de dezembro de 1941, após o ataque ocorrido no dia anterior – também num dia 7 – do Império do Japão às bases militares dos Estados Unidos no Pacifico. Tal como nesse dia 7 de dezembro o ato nipónico de guerra apanhou de surpresa os americanos, a incursão de 7 de outubro encontrou surpreendentemente desprevenidas as forças armadas e serviços de informações de Telavive.

Terrorismo é sinónimo de barbárie e violência brutal desnecessária, sem preocupações de humanidade, morais ou éticas, como foi o caso, ataques mortais indiscriminados e pusilânimes a civis em situação vulnerável. Hamas é tudo isso. O artigo 2.º da sua Constituição estabelece que “a Palestina, que se estende desde o rio Jordão, a leste, até ao Mediterrâneo, a oeste, e de Ras Al-Naqurah, a norte, até Umm Al-Rashrash, a sul, é uma unidade territorial integral. É a terra e o lar do povo palestino”. Nega a possibilidade da coabitação de dois Estados, exigindo a expulsão dos israelitas, considerando nulos e sem efeito a Declaração Balfour, o Documento do Mandato Britânico, a Resolução da ONU sobre a Divisão da Palestina e quaisquer resoluções e medidas que deles derivem ou que sejam semelhantes a eles. E, no entanto, nos seus artigos 8.º e 9.º o Hamas reconhece o islamismo como uma religião de paz e tolerância e que a mensagem do Islã defende os valores da verdade, justiça, liberdade e dignidade, proibindo todas as formas de extremismo e intolerância religiosa. O seu artigo 7.º seduz: “Jerusalém… a Palestina é a Terra Santa… É o local de nascimento de Jesus Cristo”.

No papel é uma coisa, na realidade pratica os atos mais horrorosos e extremistas que assistimos nas últimas décadas, violando as próprias Leis do Islão, que afirma defender. Claro que a reação militar de Israel se antecipa arrasadora e com proporções que podem desencadear uma guerra em toda a região com consequências nefastas para o Mundo. O grande sofrimento em primeira linha será para o povo palestiniano, do qual o Hamas se desinteressou com a sua guerrilha, mas isso não obsta, ao contrário, que todos pugnemos pela paz e reconciliação na Terra Santa e que se limite ao necessário a defesa – ataque desencadeado por Israel, sempre contra o Hamas e não contra o povo palestiniano, merecedor de respeito.

As consequências para Portugal não são imediatamente percetíveis a médio prazo, a acumular aos efeitos da invasão da Ucrânia. Mas o “brent oïl” que estava a descer e nos 84 USD por barril aquando do ataque, já se encontra no patamar dos 90 USD. O encarecimento dos combustíveis tem peso na inflação e no bolso dos portugueses. Se a subida se acentuar pode obrigar a rever as próprias previsões macro do Orçamento do Estado para 2024.

O OE para 2024 tem sido tema dos últimos dias. O governo dá com uma mão a baixa de IRS e tira com a outra no aumento dos impostos indiretos, num ato de ilusão. A economia anda desaparecida, tal como o ministro. Eleitoralista, diz-se à direita, com vista às eleições europeias do próximo ano. Mas este sufrágio parece mais importante para Montenegro do que para Costa. Está a gerar-se nos sociais democratas, a convicção que se o atual presidente do partido não ganhar as europeias terá de sair. Esta mensagem parece manifestamente exagerada. Já se percebeu que dificilmente Montenegro ganha a Costa. Num cenário de crise na habitação, saúde e educação, o PSD não só não suplanta o PS nas intenções de voto, como vem decrescendo. Não surpreenderá que, contra Costa, Montenegro perca as eleições europeias, ainda por cima face à aparente recusa do “seu” candidato Rui Moreira em encabeçar a lista. Mas não se vislumbra que um outro líder do PSD possa ganhar, talvez com a exceção de Passos Coelho. E, sendo crível que Costa não se candidate nas próximas legislativas, deve conceder-se a Montenegro a possibilidade de concorrer contra outro líder socialista, aí já com amplas possibilidades de vencer, face ao desgaste de 10 anos de governação.

Carlos Vilas Boas

Carlos Vilas Boas

19 outubro 2023