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Israel e o ataque do Hamas

Depois dos ataques do Hamas, e em relação a eles, as forças militares israelitas estão a destruir Gaza e a matar centenas de pessoas, entre as quais estão muitas crianças. O povo palestiniano de Gaza está sem eletricidade, água e sem fornecimento de comida, violando Israel, deste modo o direito internacional. Enquanto isto acontece, algumas instituições europeias (UE, NATO e EUA) têm-se limitado a falar de direito de defesa de Israel. Mas, o invocado direito de defesa de israel é contra o Hamas e não contra o povo Palestiniano. Perdeu-se o sentido de justiça relativamente ao conflito israelo-palestiniano.

 Se é certo que Israel tem direito à sua legítima defesa, igual direito tem o povo Palestiniano, que, ao longo dos tempos, tem sofrido demasiadas agressões por parte do Estado de Israel.

A política de ocupação, sobretudo depois da guerra de 1967 (Guerra dos Seis Dias) com a ocupação dos montes Golã, Gaza, Sinai e a Margem Ocidental, incluindo Jerusalém. Seis meses depois, é aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU a Resolução 242, determinando que “as forças armadas de Israel se retirem dos territórios ocupados” e seja “alcançado um entendimento justo sobre o problema dos refugiados”.

Na verdade, em resultado do conflito israelo-árabe de 1948, cerca de 750.000 árabes palestinianos fugiram para as áreas controladas pelos árabes na Margem Ocidental, em Gaza, na Jordânia e na Síria.

 Esta situação crítica foi acentuada pela colonização, inicialmente, lenta, dos territórios ocupados, mas que aumentou consideravelmente após a maioria parlamentar de direita (Likud), liderada pelo então primeiro ministro Menahem Begin. Em 1981, Israel intensifica a construção de colonatos no territórios ocupados, continuando a seguir ainda hoje essa política, facto que tem dificultado uma verdadeira reconciliação com os países árabes.

  Como muito bem refere o historiador e diplomata israelita, Ali Barnavi, em declarações ao Le Monde, “o ataque do Hamas resulta da combinação entre uma organização fanática islamita e a política idiota de Israel”(cf. Público, 10.19. Com efeito, o ataque do Hamas não serve a justa causa palestiniana, por ser contra a convivência entre os dois povos”.

É importante também recordar a opinião de quem foi profundo conhecedor da questão israelo-palestiniana, conhecimento esse adquirido em sucessivas visitas de estudo que fez ao Médio Oriente. Refiro-me ao ex-presidente dos EUA Jimmy Carter, ao afirmar: 

“Não haverá uma paz substantiva e permanente para nenhum povo nesta região tão conturbada enquanto Israel continuar a violar as resoluções das Nações Unidas, a contrariar a política oficial americana e o Roteiro Internacional para a Paz, ocupando terra que pertence aos Árabes e oprimindo os Palestinianos. E os líderes governamentais dos EUA devem estar na linha da frente par a alcançar o objetivo, há muito adiado, de um acordo justo que possa ser honrado e cumprido por ambas as partes”. (cf. PALESTINA - PAZ, SIM. APARTHEID, NÃO)

Narciso Machado

Narciso Machado

19 outubro 2023