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Braga: Capital Europeia da Imobilidade

Braga é, por estes dias, a Capital Europeia da Imobilidade.

 


À incapacidade de antecipar e projetar devidamente o crescimento do Concelho - constante desde os anos 90 - o aumento do número de automóveis, permanentes engarrafamentos nos quatro cantos do Concelho, aumentos brutais de emissão de gases poluentes e milhares de pessoas exasperadas, cansadas e zangadas com a perda, absurda, de tempo fundamental de ócio, de descanso, lazer e família, a Câmara de Braga, ao invés de uma verdadeira estratégia de mitigação destes problemas, de políticas públicas corajosas visando a redução do uso do automóvel particular, de reforço sério dos transportes públicos a circular em via dedicada, com regularidade, a cumprir horas, nada fez.

 


Na verdade não é bem assim. A Câmara fez algumas coisas, mas as decisões são tão más que mais valia não ter feito nada.

 


A forma como se montou a intervenção da Av. da Liberdade é um caso gritante, mais um, da incapacidade da “Coligação Juntos por Braga” para gerir a mobilidade no Concelho.

 


Vamos por partes. A obra da Av. da Liberdade, onde vão gastar-se mais de 5 milhões de €uros, tem uma parte que é importante, fundamental mesmo, que diz respeito à intervenção no túnel rodoviário da Avenida - um dos principais acessos ao centro da cidade - que liga a Circular Norte (Av. António Macedo), ao centro da cidade (Av. da Liberdade).

 


Sobre isto nada a dizer. É importante, urgente e, na minha opinião, até já vem fora de tempo.

 


Mas toda a demais intervenção, na Av. da Liberdade propriamente dita, é de bradar aos céus e, numa cidade já com inúmeros problemas de mobilidade, lançou Braga no caos absoluto.

 


A Av. da Liberdade é um dos grandes canais de distribuição do trânsito no centro da cidade e esta obra não acautelou, de todo, essa dimensão.

 


A Câmara de Braga, ao invés de usar esta obra como uma oportunidade para testar novas formas de escoar o trânsito do grande eixo distribuidor que é a Av. da Liberdade, ao invés de experimentar novas soluções de mobilidade no casco urbano, em detrimento de usar esta circunstância para experimentar, por exemplo, corredores provisórios dedicados, ciclovias de ligação às inúmeras Escolas situadas ao longo do eixo Santa Margarida-Av. Central-31 de Janeiro, corredores Bus dirigidos aos alunos destas mesmas Escolas, entendeu que deveria, apenas, distribuir o enorme fluxo de trânsito da Av. da Liberdade, com pequenas alterações de sentidos de trânsito, por algumas artérias circundantes que, por já estarem, também, em clara sobrecarga, levaram aos caos rodoviário em que a cidade se encontra e com o qual todos sofremos.

 


Mas desenganem-se. As asneiras não ficam por aqui. Toda a intervenção na Av. da Liberdade é um desastre, uma ode ao mau gosto e à má governação da coisa pública.

 


Senão vejamos: o Município decidiu, aproveitando a necessidade já acima escalpelizada de intervir no Túnel, para mexer, também, na Av. da Liberdade, mas, como de costume, fê-lo mal.

 


A Av. da Liberdade era, aos dias de hoje, uma das mais bem desenhadas avenidas de Braga, com dois sentidos, separador, baía de estacionamento, árvores e passeios, em algumas zonas, com seis metros de largura.

 


A nossa Av. da Liberdade, neste desenho, com estes passeios, com a segurança dada pelas baías de estacionamento, era um dos últimos redutos de qualidade para a mobilidade pedonal e a Câmara de Braga vai gastar milhões de euros para a desqualificar e destruir.

 


É triste, mas ao passo que nas cidades de referência se fazem obras preservando e recuperando os materiais mais nobres - e no caso da Av. da Liberdade tínhamos pedra e granito (nos passeios e lancis, por exemplo) - em Braga vamos substituí-los por materiais de menor valor e beleza; ao passo que nas cidades de referência se aumentam passeios, dando força aos peões e à mobilidade suave, em Braga diminuem-se os passeios; ao passo que nas cidades de referência se afronta o carro, em Braga todas as opções continuam a olhar a mobilidade a partir do carro o que, também aqui, fica claro com esta obra a contar com uma ciclovia em gincana, ao passo que os carros se manterão em linha recta; e, como cereja no topo do bolo, numa via fundamental para o escoamento do trânsito do centro urbano, a remodelada Av. da Liberdade não contará com via dedicada para o transporte público.

 


Tudo isto, se não fosse tão grave, tão mau, seria para rir.


Felizmente, a bem de Braga, a bem de todos nós, já só faltam dois anos para a mudança necessária na Governação Municipal, uma mudança centrada nas pessoas e na sua qualidade de vida, que acontecerá já em 2025, nas próximas eleições autárquicas, com o PS a liderar uma nova geração de ideias, de prioridades e de protagonistas que recoloquem a nossa terra no rumo certo.

Pedro Sousa

Pedro Sousa

18 outubro 2023