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Em contra-mão… no lado errado da História

 




Mais uma vez fomos confrontados com a posição do ‘pcp’: a favor de quem invade, provoca morte, destabiliza e faz correr rios de sangue, muito dele inocente… Foi agora na Palestina, tinha sido na Ucrânia em fevereiro de 2022, já antes noutras paragens e quase segundo o mesmo guião: velhos arquétipos ideológicos ofuscam as posições à mistura com arqui-inimigos de outras batalhas e guerras… O discurso continua a ser de cassete, mesmo que mude o intérprete. Mais uma vez me vem à lembrança a estória de alguém a quem a mulher telefonou a alertar para um carro que andava em contra-mão na autoestrada, ao que o avisado (que era, afinal, o visado) respondia: e são tantos! 

 


1. Efetivamente fica-me sempre uma suspeita: estas pessoas que até são minimamente dotadas de capacidade de inteligência – repare-se nos intelectuais de serviço e nos seus promotores de cultura (ou da sua) – afunilam as ideias e posições quando esbarram com factos nem sempre novos e tão pouco diferentes de outras épocas. Mesmo que de forma despretenciosa podemos considerar que as mais recentes guerras – Palestina/Israel e Rússia/Ucrânia – parecem ter um fator (e porque não dizê-lo: fautor) idêntico: uma visão dialética, onde a tese é a mesma e a antítese diverge, até que se crie uma nova tese, onde a (velha) luta de classes há de fazer o seu caminho pela pretensa libertação dos povos, dizem eles… Com efeito, há fidelizações internacionalistas que se movimentam de forma clara e ostensiva! 

 


2. Mais uma vez emergiram os sinais de militarismo, sob a influência do belicismo e espalhando perigosos tentáculos de guerra. Parece que surgiu uma oportunidade de ‘limpar’ dos stocks armas que estariam a ocupar espaço. Com que destreza vimos surgirem novas e mais sofisticadas formas de guerrear. Em breves instantes podemos perceber que só faltava uma oportunidade para saírem dos atóis tantos instrumentos de morte. Embora quase todos se afirmem contra a guerra (na teoria), veja-se com que rapidez, os sinais de matança ultrapassaram assuntos humanos e de cidadania. As televisões passaram a dar em direto, horas a fio, imagens de combate, numa programação contínua e atualizada. De facto, a morte tomou foros de notícia e parangonas de abertura e de vulgaridade de todos os noticiários…

 


3. Novamente fomos confrontados com aquilo que há de mais baixo da nossa condição humana, onde a miséria mais reles se sobrepõe ao pouco que ainda subsiste da dignidade que não foi aniquilada. Em tempos de guerra manifestam-se os mais díspares sentimentos e emoções até os mais animalescos. Nota-se que estes problemas como que vão insensibilizando as pessoas, lidando com questões de rutura, mas dificilmente perpassando a carapaça da indiferença da maioria… 

 


4. Vimos e registamos, no nosso país e fora dele, manifestações populares em favor de Israel e concomitantemente em defesa dos direitos dos palestinianos. Para muita gente ser por uns como que significa estar contra os outros e estes tornam-se sujeitos do outro lado da barricada. É isto que confunde os mais incautos, pois, as forças progressistas desta banda tentam confundir os erros com os projetos reivindicativos e fazem dos velhos clichés temas de militância. Desde o final da segunda guerra mundial que os conflitos israelo-palestinianos preenchem lutas e contendas… ao perto e ao longe, dependendo da perspetiva de leitura e de análise.

 


5. O que é mais preocupante, na configuração analítica do mundo ocidental, é que continuemos a ser sistematicamente intoxicados por alguns dos mentores da visão marxista, na medida em que sobrelevam as pretensões palestinianas e como que amesquinhem os direitos dos outros contendores como se fossem irreconciliáveis quando a origem bíblica os faz da mesma raiz, embora seguindo destinos específicos: Abel e Caim, Isaac e Ismael… e tantos outros duos de povos e de culturas, que estão condenados a entenderem-se nem que seja à força, hoje como ontem e, sobretudo, amanhã!

Esta nova guerra pode deixar muitos mortos e o problema não se resolverá…

António Sílvio Couto

António Sílvio Couto

16 outubro 2023