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Quando pensamos em futebol…

“Em que pensamos quando pensamos em futebol” é o título de um livro escrito por um…filósofo – Simon Critcheley. Obviamente não vou falar sobre o seu conteúdo, mas sinto-me obrigado a subscrever o autor quando este nos diz que o futebol é memória, história, lugar, classe social e identidade, seja ela familiar, tribal ou nacional. Então, dei comigo a imaginar no que pensarão, esta época, adeptos de diferentes países/clubes deste jogo que durante 90 minutos (mais a compensação) nos faz esquecer guerras, atentados, inflação e até… problemas de saúde. Acredito que os pensamentos divergem de acordo com as suas paixões.

Um adepto da nossa seleção, garantidamente, pensa - e estranha - como é possível, com um treinador que nunca convoca quem deve, estarmos em vias de ser apurados sem nenhum golo sofrido e quando ainda faltam alguns jogos para terminar esta fase.

Um adepto do Vitória SC quando pensa em futebol, pensa em treinadores. A caminho do estádio paira a dúvida sobre se o treinador ainda será o mesmo que esteve no jogo anterior. A verdade é que o clube se tem dado bem com estas trocas constantes e, em termos classificativos, está em lugar europeu. Neste fim de semana, os adeptos menos atentos estranharão quando olharem para o banco adversário e perceberem que a cara daquele treinador não lhes é estranha.

Um adepto do FC Porto quando pensa em futebol, pensa em expulsões. De gente do banco - de há uns anos a esta parte - de gente do campo, mais recentemente. A caminho do estádio pensam em que momento do tempo de compensação irão vencer o jogo.

Já o adepto do SL Benfica pensa que contrariamente aos automóveis alemães que são fiáveis e duram eternidades, os treinadores não são tão fiáveis e, obviamente, não durarão tanto.

O adepto sportinguista pensa que o campeonato podia terminar agora, independentemente de ainda faltarem muitas jornadas, bem como a habitual época natalícia que tantos dissabores lhes tem causado em anos anteriores.

Passando àqueles que melhor conheço, pois faço parte do grupo, os adeptos do SC Braga quando pensam em futebol – este ano, então - pensam em…golos. Dizem que o golo é o sal do futebol e nós, verdade seja dita, temos manjares salgadíssimos bissemanalmente (também por isso, e a conselho médico, tenho bebido muita água). Nenhum adepto de outro clube nacional já viu tantos golos nem nenhum, festejou ou sofreu como nós. Claro que em cada adepto há um treinador, por isso, e como o nosso plantel é rico, também todos pensamos nas diferentes opções, quando o resultado não nos sorri e todos estamos de acordo com a equipa técnica quando o resultado é o esperado, mesmo que tenhamos de esperar também, até final do tempo de compensação. Na minha dualidade de comentador/adepto, dei comigo ao micro da Rádio Voz do Neiva a congratular-me com o facto de, recentemente, o Rio Ave ter marcado cedo - sofrer golos em todos os jogos está no ADN Gverreiro - porque assim teríamos mais tempo para recuperar (ainda deviam ser efeitos da anestesia).

Carlos Mangas

Carlos Mangas

13 outubro 2023