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A felicidade aumenta a produtividade

 



 


Somos infelizes quando não conseguimos trabalho. E não nos sentimos felizes em muitos dos nossos trabalhos. Não se trata apenas do factor salário, embora a sua repercussão seja determinante.
De facto, com vencimentos muito baixos e custo de vida muito alto não dá para prosperar. Mal dá para sobreviver. E – como avisou Edgar Morin – «sobreviver não é viver».

Está a crescer o número de pessoas que tem de optar entre a habitação e a alimentação.
Daí o aumento de famílias acanhadas dentro de uma tenda. A saúde, incluindo a mental, não deixa de ser seriamente afectada.

Compreende-se que as empresas visem o lucro. Até para o poderem converter – pelo menos parcialmente – na justa remuneração de quem labora.
Acontece que, quando – entre os ganhos das empresas e os salários dos trabalhadores – a discrepância é abissal, a relação está invertida.

A dignidade do ser humano tem de ser sempre a prioridade. E não se esqueça que nenhuma organização subsiste sem o esforço e a dedicação de quem trabalha. 
Também aqui, o princípio da empatia – a defesa dos outros – tem de ser aplicado.

Só que, além dos salários, há outros elementos a não negligenciar.
A produtividade aumenta também com o reconhecimento, a satisfação, o estímulo, o bem-estar.

Neste sentido, a liderança não há-de ser exercida apenas no gabinete. A liderança tem de estar junto de quem trabalha.
Importa procurar saber como está a saúde de cada colaborador e quais as suas necessidades mais prementes. 

É fundamental oferecer condições que favoreçam a interacção entre todos, evitando tensões e eliminando – cerce – possíveis conflitos. Quando alguém não está feliz na vida profissional, o rendimento é – inevitavelmente – menor.
Como alerta Tiago Franco (da «Engaging Consulting»), «a felicidade está directamente ligada à produtividade». O acréscimo pode chegar aos 50%. A receita não é uniforme. Por isso, tem de ser ajustada a cada pessoa.

Fundamental é conquistar a confiança. Pequenos gestos podem alcançar grandes resultados.
Exemplo? Receber os funcionários quando chegam, cumprimentando-os; ligar não só para agendar serviços, mas também para perguntar como está a decorrer o dia.

Toca muito igualmente celebrar os aniversários dos trabalhadores e até conceder dispensa para que eles possam conviver com a família nas datas mais significativas. 
Outros incentivos podem passar pela oferta de seguros de saúde e prémios de produtividade. Decisivo é não implementar relações dialécticas e de confronto. 

Mesmo que nem sempre haja acordo, o líder deve ser visto como membro da equipa, com quem todos podem contar. É que, se ele aparece apenas como quem manda, o medo de falhar dispara. E quem perde são todos. 
Nada, pois, como promover a felicidade para reforçar a produtividade! 

 

João António Pinheiro Teixeira

João António Pinheiro Teixeira

10 outubro 2023