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Cobarde, cobarde, cobarde

 

 

 Foi assim que André Ventura classificou a posição de Santos Silva a respeito do que aconteceu com os deputados do Chega na manifestação pela Habitação. Se fossem os deputados da extrema- esquerda que ali se fizessem representar também os manifestantes teriam reagido chamando-lhes estalinistas, trotskistas, marxistas, como chamaram fascistas aos deputados da direita? Que mais tem uns que outros destes dois para haver esta duplicidade de tolerância? Santos Silva foi de menos ao não defender os deputados do Chega, mas André Ventura foi de mais ao chamar cobarde ao presidente da assembleia da república? Perde-se deste jeito a força da razão. Um e outro erraram porque a verdade é que o presidente da assembleia da república deveria ter saído em defesa dos deputados insultados e calou-se num silêncio que se não é cobarde como diz André Ventura, é pelo menos, cúmplice: André Ventura vai mais longe colocando este silêncio de Santos Silva como meio e fim de uma candidatura a presidente da república. Sejam estas as razões que levaram André Ventura à sua desabrida afirmação de falta de coragem pela segunda figura da república portuguesa? É igualmente verdade que ele é a segunda figura da república portuguesa e, por inerência do cargo, merece respeito e contenção verbal. Se ele errou é no parlamento que se lhe deve chamar a atenção e não na praça pública e nunca daquela maneira de trauliteiro . Em consciência acho que Santos Silva andou mal refugiando-se nas encolhas, mas André Ventura não andou melhor abrindo as goelas. Podemos dizer as coisas sem recorrermos à arruaça; a moderação é filha da educação. Ainda um dia destes um humorista se referiu ao presidente da república em termos e momices que ofenderam o Sr. Presidente! Neste caminhar estamos a trilhar, não a estrada da liberdade de expressão, mas o caminho da ofensa gratuita com graves prejuízos de honra do lugar. Haja relengo, como diziam os meus mais velhos. Nem é preciso silenciar a discordância, basta que haja elegância de critica para se dizer a verdade. Não podemos confundir liberdade com falta de educação. Quando não, a respeito dessa liberdade alicerçada no livre-arbítrio, estamos no limiar do insulto; meia dúzia de espetadores predispostos a rir e pagos para tal, não são todos os portugueses. Não sei onde está a coragem de apostrofar alguém que não está presente para se defender! Eu sinto isto como uma vilania. Alguém que retira ou diminui o bom nome de outrem, mesmo com justa causa, faz um crime de honra. Dantes era o duelo que resgatava a mancha da honra; agora, desde que o insulto da honra seja feito numa qualquer tribuna de comediante, são os índices de audiência quem safa o insulto. São tempos que decorrem duma liberdade mal ajustada. Cobardes há muitos como os chapéus de Vasco Santana. Santos Silva será um cobarde? Que respondam os eleitores. Mas essa liberdade chegou ao ponto de fazermos do Presidente da República o bobo da turma? Parafraseando o sr.cardeal e bispo de Setúbal, D. Américo Aguiar, digo, “ a democracia é de todos, todos, todos, mas não de tudo, tudo, tudo.

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Paulo Fafe

Paulo Fafe

9 outubro 2023