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Solidariedade Intergeracional – A luta de gerações

 

Os governos não governam para as próximas gerações, governam para as próximas eleições.

Esta frase de Ronald Reagan confirma a pouca apetência daqueles que são políticos para discutirem os temas marcantes da população a médio e longo prazo. Para fugir a esta regra, não se pode “ser” político, mas sim “estar” político, ou seja, os “políticos” deverão ter assegurada uma forma de sustentabilidade da sua vida quando quiserem abandonar o cargo que ocupam.

Contrariando esta tendência, temos vindo a analisar nas últimas semanas vários estudos recentes da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) que se debruçam sobre as inúmeras vertentes conflituantes de direitos e garantias das gerações atuais e das futuras. É obrigação dos governantes antecipar estes conflitos e determinar políticas sustentáveis que evitem choques geracionais.

Numa das questões colocadas aos portugueses deste estudo [1], 77% responderam ser favoráveis a deixar mais recursos para as gerações seguintes, mas, por outro lado, recusam aceitar sacrifícios pessoais com essa finalidade. Sol na eira e chuva no nabal, nem aqui nem no Rabaçal.

É óbvio que o equilíbrio intergeracional terá de ser feito com bom senso e determinado por dados estatísticos cada vez mais universalmente disponibilizados por várias entidades. Navegar à vista sem uma visão política de futuro, gerará desequilíbrios sociais que poderão, no limite, colocar em perigo a própria democracia.

No mesmo estudo, os jovens questionados sobre a temática, entendem serem parte de uma geração mais bem formada e preparada do que a anterior e que a educação é um pilar essencial para o combate às desigualdades entre gerações, estando abertos a estabelecer novas formas digitais de discussão desta problemática. A justiça intergeracional poderá ser catapultada por um diálogo permanente na família, escolas e comunidade, sendo que para tal desiderato, a juventude exige ser mais ouvida na tomada de decisões políticas.

Dos vários tópicos abordados nos estudos da FCG, destacam-se as desigualdades ambientais, cujos conflitos estarão nos limites ecológicos como sendo o consumo exagerado de recursos e a boa gestão de resíduos. Destacam-se ainda as desigualdades no mercado de trabalho, com salários à cabeça, mas também as diferenças de vencimento entre homens e mulheres. Outros dois temas em destaque são as desigualdades na habitação, que no período pós-pandemia se agravaram de forma exponencial. E, por fim, a necessidade da sustentabilidade das finanças públicas e da dívida do país a longo prazo.

A cada um destes temas faremos uma análise pormenorizada como temos vindo a fazer nas últimas semanas, fomentando a discussão da problemática, deixando o alerta à sociedade civil e aos responsáveis governativos.

1[] https://gulbenkian.pt/de-hoje-para-amanha/publications/gulbenkian-intergeracional-um-compromisso-com-o-futuro/

 

Sérgio Gomes

Sérgio Gomes

Sérgio Gomes

Mário Queirós

8 outubro 2023