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Ecos da JMJ 2023

Agora que da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa (início de agosto de 2023) já nos alcança o encantamento e a saudade, tempo vai sendo de largar amarras, enfunar velas, partir para o largo e lançar as redes; e esperar pacientemente que os ventos bonançosos atraiam o peixe e estimulem a pescaria. 

E se os tempos que atravessamos difíceis e controversos são e, como tal, propícios ao desalento e à rendição, mais afanosa se projeta a canseira e a alma do pescador; e, assim, bom fora que a malha da rede e o gesto certeiro de a laçar traga a esperança de uma abundante e procera safra. 

Por isso, contamos com a entrega, o entusiasmo, a doação plenos com que a Juventude incendiou Lisboa, abrindo os seus corações aos apelos do Papa Francisco, seu líder espiritual; e, igualmente, construindo entre si e nas suas comunidades de origem laços de cooperação e afeto, capazes de enfrentar com coragem e determinação os ventos perversos que por aí sopram, opados de irracionalidade, desumanização e ateísmo. 

Pois bem, o Papa Francisco, na sua insofismável sabedoria e bondade e incomensurável dimensão humanista, foi o mensageiro da Alegria, da Fraternidade, da Paz e do Amor nesta Jornada Mundial da Juventude; e, num gesto de universal concórdia e ecumenismo lançou aos quatro ventos o brado triunfante que anunciou a abertura das portas da Igreja a todos: na Igreja cabem todos, todos, todos. 

Depois, falando em especial para os jovens, alertou-os para a manipulação dos algoritmos; e pediu-lhes que não se deixam enganar pelas ilusões do mundo digital. 

Assim falou o Papa Francisco: Muitos, hoje, sabem o teu nome, mas não te chamam pelo nome. Com efeito, o teu nome é conhecido, aparece nas redes sociais, é processado por algoritmos que lhe associam gostos e preferências. Mas, tudo isso não interpela a tua singularidade, apenas a tua utilidade para pesquisas de mercado. 

De seguida, o Papa centra a sua reflexão na importância do nome e de ser conhecido e de ser reconhecido como pessoa num mundo em que a dependência das redes sociais conduz à materialização das relações humanas, à afetação da saúde mental de crianças e adolescentes e à depressão; como ainda, o uso sem rede nem critério das redes sociais arrasta os jovens para o descontrolo emocional, a ansiedade, a falta de interação e de comunicação interpares, ao mau desempenho físico e afetivo. 

Ouçamos o Papa Francisco:

Quantos lobos se escondem por trás de sorrisos de falsa bondade, dizendo que conhecem quem és, mas sem gostar de ti, insinuando que acreditam em ti e prometendo que serás alguém, para depois te deixarem sozinho, quando já não lhes fores útil. Se Deus te chama pelo teu nome, se justifica que para Ele nenhum de nós é um número, mas é um rosto, é uma cara, é um coração. 

E numa prática assente na sabedoria e humanismo que o carateriza, o Papa Francisco alerta os jovens para as ilusões do mundo virtual; e adverte-os para que estejam atentos e, assim, não se deixarem enganar, porque muitas realidades que nos atraem e prometem felicidade apresentam-se, depois, claramente pelo que são: coisas vãs, bolhas de sabão, superfluidades que não servem e nos deixam vazios por dentro. 

E o apelo final do Papa Francisco:

Não tenham medo, sonhem, inquietem-se, não sejam presas da especulação e do mercado selvagem, e pratiquem o diálogo, a corresponsabilidade e a participação e digam não ao vazio das redes sociais. 

Sem dúvida que estes foram os momentos de ouro, os ecos mais fortes e profundos da JMJ 2023; e que, agora, só têm de ser seguidos, abraçados e propalados pelos milhões de jovens nela presentes e participantes; e, mais espetacular ainda, que sejam ouvidos e agraciados por muitos e muitos milhões de jovens de todo o mundo. 

Então, até de hoje a oito. 

Dinis Salgado

Dinis Salgado

4 outubro 2023