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Super-homem, o padre? Ainda bem que não!

É verdade que o padre não é perfeito (cf. Mt 5, 48). Mas haverá alguém que consiga ser irrepreensível?
Quem nunca prevaricou – ou incumpriu – que se apresente. Quem nunca falhou que atire a primeira pedra (cf. Jo 8, 7). 

Acontece que, mesmo para «atirar pedras», toda a gente sabe onde o padre está. 
Entre o povo e o padre não há caminhos sobrepostos. Ainda que as opções sejam (eventualmente) disjuntas, os percursos são feitos em conjunto.

Até aqueles que só ocasionalmente entram numa igreja não deixam de sair da vida do padre.
É, quase sempre, a ele que vão expor as suas dificuldades e descerrar as suas alegrias. E nunca deixam de trazer uma palavra de conforto e um gesto de incentivo.

Há muitos padres que raramente «ferializam». E se têm algumas férias, não desligam. Dificilmente permanecem incontactáveis.
A quase totalidade também não se reforma. No próprio caso de terem atingido a idade para tal, dispõem-se a trabalhar até ao limite. Se for caso disso, até ao fim. Alguns – bastantes –, quando caem, caem de pé.

E, se nas actuais circunstâncias se mostram cansados, não é das pessoas nem da missão.
Cansam-se, habitualmente, porque, depois de darem tudo, notam que ainda ficou muito por fazer: muitos por atender, muitos por ajudar. Por isso, é ao padre que perguntam onde vivem – e como (sobre)vivem – as pessoas.

O padre também é humano. Mal seria se fosse desumano. Pretensioso surgiria se tentasse aparecer como sobre-humano.
É compreensível que se espere muito do padre. Afinal, ele é «teóforo», portador de Deus. Mas não deixa de transportar igualmente a sua humanidade: por vezes, impaciente, apressada, exasperante, nem sempre sorridente.

As pessoas merecem ser atendidas com um sorriso. Mas os simples são os primeiros a compreender que um padre também chore, também adoeça, também se desgaste.
Pouco é desconhecido acerca dos padres. Eles não se escondem em torres de marfim.

A sua missão não é ser notícia; é dar notícias, sobretudo a melhor notícia: o Evangelho. 
Por conseguinte, quando se fala de um padre, só excepcionalmente se fala de um estranho. Trata-se de alguém de quem se conhece o nome e se identifica o rosto.

Apesar das censuras e das críticas, ele não se resguarda. Vê e é visto. 
Os mendigos estendem-lhe a mão e raramente a levam vazia. Os doentes, os idosos e os desvalidos habituam-se à sua presença, frequente.

Ele é familiar de todos e todos são da sua família. 
Enfim, está em permanente «sínodo»: a caminhar para Deus, juntamente com o povo!

João António Pinheiro Teixeira

João António Pinheiro Teixeira

3 outubro 2023