twitter

Bruxelas ou Moscovo, quem melhor representa a Europa?

Primeiras impressões e uma pergunta que pode parecer estúpida). “Quem representa a verdadeira Europa? Será a União Europeia ou é antes a Rússia?” (que nem sequer pertence à UE). Como é sabido, em muitos casos as primeiras impressões que temos, induzem-nos em erro e não correspondem à verdade. Lembremo-nos das “ilusões de óptica”; ou das “miragens”. Ou do facto de certa pessoa ter má cara ou mau aspecto (ou andar mal vestida) poder causar uma impressão totalmente falsa acerca da sua eventual honestidade ou dos seus meios de fortuna. A pergunta em questão deixará contudo de ser estúpida, se admitirmos, como é óbvio (e como sempre foi ensinado nas universidades e admitido nas chancelarias), que a Rússia também é um Estado europeu. Que a Europa se estende (e ainda bem…) do Atlântico aos montes Urais, uma cadeia de serras com mais de mil kms. de comprido, que vai do Ártico ao Cáspio, no sentido norte-sul. E que aparece nos mapas, ca. de mil kms. a leste de Moscovo. Se a evolução da História (nos últimos 500 anos) proporcionou à Rússia aumentar, através da gélida Sibéria, o seu território até ao asiático Pacífico, isso não mexe com a origem e matriz europeia do povo russo. Daí que a pergunta de base (que é título deste nosso trabalho) afinal nada tenha de estúpido. Pelo contrário, é até bastante filosófica.
Pois se o nóvel Estado ucraniano, gémeo da Rússia moscovita, é tido (e bem) por “europeu”…). E não falta quem o queira até fazer perigosamente “saltar o (histórico) muro” e passar para “Bruxelas”. A própria “Rússia moscovita” tinha, se quisesse, direito de mudar o seu nome (para alguns tão antipático), para “Europa extremo-oriental”. Ou “Federação europeia dos Eslavos do leste”. Lembremos que também são Eslavos (mas do oeste) os polacos, sorábios, checos e eslovacos. E Eslavos do sul, os eslovenos, croatas, sérbios, bosníacos, montenegrinos, búlgaros e macedónios-do-norte… O grupo etno-linguístico eslavo é até, pois, o maior da Europa. Daí que os russos não devam ser tratados como outrora se tratavam os cães.
Quem, pois, melhor defende e representa a Europa? Moscovo ou Bruxelas?). Provado que ficou que a Rússia é tão “Europa” como os outros, já a pergunta de base deixa de ser “estúpida”; e poderá refletir-se sobre a resposta a ela. Note-se que o confronto é entre Moscovo e Bruxelas. As antigas capitais (Paris, Roma, Berlim, Madrid, Lisboa, Praga, Atenas, etc.) e as Nações que elas representam, como que já desapareceram do esquema lógico. Já não são autónomas, independentes; limitam-se a obedecer às decisões dum “colectivo” (pouquíssimo representativo, aliás), o dos “eurocratas profissionais” (regiamente pagos), sediados em Bruxelas. Para o efeito, aliás, “Bruxelas” é aleatório (pois os belgas nada mandam); a sede poderia ser em Alcabidexe, em Tromso, em Mannheim ou em Salerno, dava no mesmo. A pergunta de base mantém-se, pois.
E já agora, quem mais manda ? Bruxelas ou Washington?). Esta é outra questão não despicienda. Pois se calha de se aceitar que é Washington que, nas horas decisivas, manda “em Bruxelas”, como acontece durante as guerras importantes (a da Ucrânia, a 2.ª Guerra Mundial, p. ex.)… Então, a europeia “Bruxelas” torna-se um poder, por certo europeu, mas que é controlado (p. ex., através da NATO) por poderes exteriores à Europa (por mais “amigos” que se digam dela). Assim, como poder exclusivamente representativo da Europa, resta em campo apenas a Rússia. E a pergunta do título fica respondida…
Por outro lado, a Rússia de hoje, não é a URSS). É apenas um vasto Estado europeu, com políticas próprias. O comunismo era dos “soviéticos”, não especificamente dos russos; e ele já ficou para trás, numa certa curva da História. Aliás, boa parte dos grandes líderes soviéticos não eram sequer, russos. O maior de todos, Stalin (ditador de 1924 a 1953) era georgiano, tal como Béria. Khruchtchov nasceu a 15 kms da Ucrânia. O poderoso Trotski era um judeu ucraniano (de Odessa). E não russos, mas judeus, eram quase todos os líderes do Bolchevismo de 1917 (que Stalin eliminou, nos anos 30).
Por outro lado, a UE tem como política destruir as Nações europeias). Destruí-las, dissolvê-las e admitir milhões de novos colonizadores, originários sobretudo de nações hostis e que nada têm a ver com a Europa. Boa parte deles, islâmicos; religião que a breve trecho poderá ultrapassar o Cristianismo na Europa; e aí…
A moda dos 1.º ministros… indianos). É o caso de Portugal, da Grã-Bretanha (quer na Inglaterra, quer agora na Escócia); foi o caso recente na Irlanda. Com a mesma matriz, são o “mayor” de Londres; ou a vice-pres. dos EUA, Kamala Harris. Uma antevisão do nosso futuro?
Droga, inverno demográfico, ...). Contra todos estes problemas, lamentavelmente, a conservadora Rússia é muito mais eficaz; e bem mais pró-europeia… que a “União Europeia”.

Eduardo Tomás Alves

Eduardo Tomás Alves

3 outubro 2023