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Os propósitos e as práticas

 

 

 

 

 

 

De forma sucinta, direi que os propósitos que estiveram na origem da implantação do comunismo na Rússia, em 1917, que culminaria na República Socialista Federativa Soviética, em 1922, composta por 15 países de leste, até se consideravam música para os ouvidos desses povos. Uma vez que havia muita pobreza, enormes desigualdades sociais e nenhum respeito pelos direitos humanos. O que viria a contagiar outros países no planeta a aderirem ao marxismo-leninismo soviético. 

 Dessa feita, os 15 estados federados, a par de passarem a prestar vassalagem ao país dominador, começaram a nacionalizar os maiores setores empresariais privados; a eliminarem os privilégios de classe social e a correrem com os detentores do capital. Concentrando todo o poder no Partido Comunista (PC), porquanto se propunham governar com e para os trabalhadores, prometendo-lhes os amanhãs que cantam.

 Com efeito, os propósitos do Comité Central do P. C., bolchevista russo, eram deveras interessantes. Pois para além de revelar preocupação pela paz no mundo, também propalava a coexistência pacífica e respeito entre estados, ainda que de sistemas sociais diferentes. Anunciando uma luta constante em favor do desarmamento no mundo. 

 A liderança soviética prometeu, mas logo que terminou a 2.ª guerra mundial, em 1945, Estaline começou a armar o país até aos dentes, não parando de expor – na maior praça moscovita – o seu arsenal bélico e a sua elite de privilegiados políticos e militares. E, dando o dito por não dito, começou a deportar para os gulags siberianos todos aqueles cidadãos que se opunham às suas práticas.

 Foi quando Gorbachov, em 1988, ao assumir as rédeas do país, decidiu implementar a “Perestroika”, ou mudança, que poria termo a que os 15 países federados obedecessem a Moscovo. Tendo sido dada a machadada final no comunismo, em 1989, com a queda do muro de Berlim. Abrindo, a leste, caminho a modernas economias de mercado e a gerirem – cada uma por si – os seus próprios destinos. 

 Chegada a hora de Putin assumir o poder na Rússia, este resolveu moldar a democracia “gorbachoviana” a seu bel-prazer e rodear-se de oligarcas, seus cúmplices. Este antigo elemento do KGB – um nostálgico dos tempos da URSS – decidiu, em 2014, anexar a Crimeia e, mais tarde, em 2022, com a ajuda dos mercenários Wagner, invadir toda a Ucrânia, sem dó nem piedade. Borrifando-se para a ONU – de que é membro – e para os tratados assinados. Porém, a sua ofensiva não chegou a Kiev dado não contar com a firme resistência do presidente Zelensky e das suas tropas, com o apoio dos EUA, da União Europeia (EU) e dos países membros da NATO.

 É que quando Dmitry Pescov, porta-voz do Governo russo, nos vem dizer que a última cimeira da NATO foi anti-Rússia, pergunto-lhe: só agora é que deu por isso? Então não vê que a Finlândia e a Suécia já se propuseram aderir a esse organismo de defesa? Sim, porque se pensava que a invasão iria ser canja, enganou-se. Porque, afinal, se Putin se propunha limpar os nazis, ninguém deu por isso. Sabemos é que tirou a vida – e continua – a levar a cabo a destruição e o genocídio de muitos civis, inclusive idosos(as) e crianças. 

 Nesta fase, o discurso de Putin visa, apenas, conseguir cansar os ucranianos, os seus aliados e ver se instala o desânimo em alguns países. Note-se que Zelensky, já veio dizer que a lentidão, ou rapidez, da contraofensiva ucraniana está ao ritmo da entrega do armamento prometido. Mas atenção: não sei, ninguém sabe, o que Putin e Kim Jong-Un negociaram. Sabemos é que fizeram uso da velha máxima: “o segredo é a alma do negócio”. 

 Contudo, todo o mundo sabe com quantos F-16, Carros blindados, mísseis, drones, etc., a Ucrânia pode contar. Enquanto isso, já escutei alguns “comentadeiros(as)” lusos, voltados para narrativas anti- ucranianas. Covardia perigosa que, segundo o Papa Francisco, poderá resultar num massacre sobre aquele país se, entretanto, lhe cortarem os apoios e as armas para se defender. 

 

Narciso Mendes

Narciso Mendes

2 outubro 2023