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Como acreditar neles?

 A ideia que se tem de um político é de mentiroso através da demagogia. É corrente.Porquê? Porque prometem aquilo que sabem, desde sempre, que não podem cumprir. Se o sabem e o praticam, fazem-no de má fé, deixando o seu nome político nas ruelas da aldrabice. Não são todos assim, e quero acreditar que não, mas basta uma maçã podre para apodrecer toda a cesta. Mais uma vez tudo isto se comprova e faz estória, com a atitude do presidente da região autónoma da Madeira: havia dito que não governava sem maioria absoluta. Não a obteve nas últimas eleições e, então, numa atitude travestida de verdade, afirmou que vai apresentar uma maioria absoluta, mas não disse que essa não era a sua maioria. Como não é. Estamos, deste jeito, perante um teatro de máscaras que este disfarce não disfarça; a mentira de Sr. dr. MiguelAlbuquerque dá razão a todos aqueles que querem que ele cumpra a palavra dada. Mas se isto, só por si, é uma mentira descarada, a maneira como ele travestiu a “sua derrota” é de fazer crer que, em política, é fácil trocar de agasalho que se despe ou veste segundo o tempo que faz; tornou-se num vencedor contestado porque, em vez de cumprir a sua palavra, como era sua obrigação como homem de “antes quebrar que torcer”, deu a esta uma nova roupagem tecida de disfarce carnavalesco, sem respeito pela inteligência de todos e principalmente sem respeito pelo eleitorado madeirense. O Sr. dr. Albuquerque autorizou-nos a que o consideremos um político sem honra. A honra não é uma roupa que se veste ou despe de acordo como tempo que faz. É uma atitude para toda a vida e para ela não há metamorfoses, nem mimetismos que a adaptem às circunstâncias. Sendo um vencedor nas urnas, derrotou-se ao dar o dito por não dito. Não faz mal que governe numa maioria negociada, não é isso que está verdadeiramente em causa, o que se repudia é que, com a sua atitude, seja mais um tiro que dá na reputação de todos os políticos. É uma nódoa que se não limpa. A democracia não aguenta tudo e talvez por isso é que vemos crescer partidos que têm propósitos de um regresso a “endireitar isto tudo”. E a verdade é que os vemos crescer numa onda de ferrugem que ameaça corroer o atual sistema democrático. Sabemos que na campanha eleitoral promete-se tudo; assim se enganam os papalvos. Quando chegará o dia da seriedade política? Quando será que os tartufos de Molière acabam? Uma coisa é certa, com exemplos destes como querem que a gente acredite neles?

 

 

Paulo Fafe

Paulo Fafe

2 outubro 2023