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Mudar de vida e ter aspirações. É preciso mesmo!

Deixem-se de brincadeiras, senhores governantes. A conjuntura assim o exige. E o país muito mais. A vida de uma boa fatia de portugueses está numa situação bastante complicada. Algumas, até esfarrapadas. Outras, já desistiram. Deambulam pelas ruas das cidades. Sem eira, nem beira. A promessa e o desejo do Presidente da República não se cumpriram. Em 2023 - dizia - não haveria gente a viver na rua. Prometer e desejar não resolvem problemas. O que importa é fazer. Actuar. Arregaçar as mangas. Encontrar soluções. Resolver.

O jogo da “Raspadinha” (4 milhões de euros/dia) é o melhor aferidor do estado deprimente do país. E das pessoas. São os pobres os maiores contribuintes deste jogo. Derretem o pouco que têm para ver se a sorte lhes bate à porta. E, como era de esperar, quantos mais jogam mais se enterram. Mais miseráveis ficam. Porque querem. Numa dependência atroz. Agarrados ao vício. Até parece que “gostam” de ser pobres. Uma coisa inacreditável! Esta “cultura” representa a pobreza também espiritual na sua marcha imparável. Triste fado este! 

 


1 - O país é coisa muito, muito séria. Não se pode continuar a brincar com números, com palavras, com suposições. Com fingimentos e com lucubrações esquisitas. Com propagandas e com mixordices. Com embustes e com desvios. Com mentiras e com desvalorizações. Com amuos e com afrontamentos. O país também não se governa com taxas e taxinhas. Com peditórios. Com subsídios. O subsídio humilha. Torna a pessoa um dependente da vontade e da chantagem dos poderosos. Das políticas dos interesses. Das manipulações. Os subsídios são, claramente, sinais exteriores de pobreza. 

O país governa-se com responsabilidade e com sentido de Estado. Com sentido de futuro. Com criação de riqueza. Com apostas sérias no desenvolvimento. O país governa-se com investimento e com competências. Com ambições. 

 


2 - A vida das pessoas é coisa séria de mais para ser encarada de forma ligeira e esdrúxula. A pessoa não se resume ao voto. Não é só interessante nos actos eleitorais para satisfazer ambições pessoais de uns. A pessoa não é um ser restritivo. Tem um desígnio e uma consciência. Tem um significado social bem expressivo numa sociedade moderna, activa e progressiva. Os governantes não podem amesquinhar a pessoa através da perpetuação subsidiária. É preciso olhar para o país e para as pessoas de outra forma: com responsabilidade e com boa consciência. Com respeito pela sua singularidade e pelo seu potencial como ser pensante e sensível. É preciso criar um campo de oportunidades exequíveis. E com sentido.

 


3 - Portugal tem pobres de mais. Gente que recebe subsídios de mais. Gente sem aspirações de mais. Gente que trespassa pobreza de mais. Para os seus. Para os seus dos seus numa linha que não dá sinais de ser cortada. De geração em geração e de forma imutável e praticamente automática. Muitas vezes, porque se quer. Porque se alinha neste jogo geracional da pobreza. Porque não existe aquele élan de quebrar as grilhetas das misérias. Para isso, é preciso mudar comportamentos. Repensar as atitudes. Corrigir procedimentos. Acreditar que se é capaz. Sentir orgulho das suas origens. Ter garra e capacidade de luta Ter ambições de mudar de vida. Sentir que o “destino” está ao nosso alcance. Ter orgulho de dizer no final: “CONSEGUI”.

 


4 - Às vezes, basta mudar pequenas coisas na vida para se chegar lá. Deixar de fumar, por exemplo. São sempre 150 euros por mês que se esfumam numa boca que se degrada. São três cervejas que se bebem sem razão alguma. Não há sede, não deveria haver cerveja. Às vezes, cigarro na boca, cerveja na mão. É um “bom retrato” A “cerveja”, no mínimo provoca 100 euros de despesa por mês. São “raspadinhas” que se raspam para nada. Quase sempre com azar. Azar, muito azar. Sempre o azar, mas sempre a raspar. Há quem jogue 10 euros ou mais por dia. Ao fim do mês são mais de 300 euros. Pequeno-almoço fora de casa, mais uns cafés, mais outras comedorias. No final, não chegam 500 euros por mês para satisfazer nada. Contas por baixo, claro. Se se pensar comparativamente com salários mínimos, esta despesa é uma monstruosidade. Mas, é real. Está ao nosso lado. Todos os dias. E em todos os lugares. E de forma inexorável e viciosa. Este dinheiro dava bem para outras coisa. Coisas úteis para o próprio indivíduo e para a família. 

Com consciência, pode-se mudar. Para arrumar a vida. Basta querer. Custa, mas não é difícil!

Armindo Oliveira

Armindo Oliveira

1 outubro 2023