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1.º de Maio-dia de S. José Operário, sem Patins!

A minha experiência é assim profunda dentro do capitalismo privado, modéstia à parte. Mas por ironia do destino foi no ensino superior público português, como membro de órgão sindical nacional do SNESup-Sindicato Nacional do Ensino Superior, que ouvi as histórias mais escabrosas de exploração do próximo, professores, docentes ou investigadores.

Sempre tentando jogar com a precariedade do vínculo laboral dos respectivos titulares. Foi no ensino superior que vi uma pessoa a tentar manipular um processo disciplinar, falsificando documentos e tentando impedir o princípio do contraditório, foi aqui que ouvi alguém a dizer para outrem “vê lá se queres que te ponha os patins”! A frase revela uma ameaça dramática, mas que, em simultâneo, chega a ser patética, tem qualquer coisa de circense (salvo o devido respeito pelo Circo, a par da Ópera, o maior espetáculo do mundo!).

Sei que o receptor desta frase, efectivamente numa situação precária laboral, fez um profundo esforço para se conter – e é assim que deve ser, com educação e nobreza, pois de contrário deverá recorrer aos advogados, solicitadores e Tribunais e, claro, aos Sindicatos –, mas a vontade, contou-me depois o mesmo, era comprar os patins e umas orelhas de burro para oferecer ao autor da frase. Enfim, já para não falar no cuidado que se deve ter quando se ameaçam os outros.

É que, feita a ameaça, sempre há que ter redobrado cuidado em qual vai ser a reacção do outro lado. É que, por vezes, o outro lado, pode reagir de forma inesperada. Qualquer violência é de condenar, simplesmente o que importa frisar aqui é que, por palavras simples, a ameaça, quando não é legal ou justa (legal ou justa seria por exemplo dizer que vai colocar em Tribunal, pois é um direito fundamental), pode despertar sentimentos de revolta na outra parte e até reacções de legítima defesa ou de direito de resistência (reacções legais) ou, ainda, respostas agressivas e surpreendentes (o que, não sendo legal, acontece infelizmente e diversas vezes na prática).

Desafortunadamente, não é tão raro assim que o trabalhador despedido injustamente se queira vingar. O que, claro está, do ponto de vista ético está errado. O trabalho dá dignidade. É certo que há muito boa gente que quer emprego, mas não quer trabalho e é também certo, ainda agora se viu, que há salários “criminosos” na “gestão de elite” quando comparados com os respectivos “geridos” incluindo a maioria dos trabalhadores. As diferenças são abissais e é aí que reside grande parte da injustiça económica e social, quando é a classe média quem sustenta a democracia.

Sim, sim, o 1.º de Maio é dia de São José Operário, o carpinteiro, o operário, o Padroeiro dos trabalhadores. Não se esqueçam que nós, os crentes, acreditamos em Deus, mas também na besta satânica, seja em forma de “jogo da baleia azul”, seja em forma de despedimento sem justa causa como ainda e bem impede a nossa Constituição no art. 53.º, seja em cão fera que estropia e mata, seja como manipulador de dinheiros públicos ou privados sem prestar a devida transparência, seja como “disponível forçado” a passos passados (disco riscado), seja como desleal para com os colegas de trabalho e ameaçador do justo posto de trabalho. É caso para dizer: – “Vai é mas é fazer patinagem artística para a tua freguesia!” Deixem os trabalhadores honestos trabalhar. Façam um salário mínimo europeu e distribuam melhor a riqueza.

 

 


Autor: Gonçalo S. de Mello Bandeira
DM

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5 maio 2017