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Casa da Irmã Lúcia reabre após oito meses de obras de restauro

Casa da Irmã Lúcia reabre após oito meses de obras de restauro
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 02 de julho de 2024, às 10:57

Investimento de 338 mil euros

A Casa da Irmã Lúcia, em Aljustrel, Fátima, que recebe 300 mil visitantes por ano, vai ser reaberta ao público na sexta-feira, após oito meses de obras de restauro e de museologia, que custaram mais de 338 mil euros.

Marco Daniel Duarte, diretor do Departamento de Estudos e do Museu do Santuário de Fátima, explicou que, “do ponto de vista da museologia”, a Casa-Museu foi preparada olhando para o imóvel “na perspetiva do que os peregrinos procuram encontrar”.

“Não a Lúcia [religiosa] doroteia ou carmelita, mas a Lúcia da infância”.

A intervenção foi feita a partir dos relatos de Lúcia de Jesus nas suas Memórias e “outros escritos, onde refere o que havia em cada divisão”.

Assim, os visitantes desta Casa-Museu, a pouco mais de dois quilómetros do santuário da Cova da Iria, encontram a residência de uma família rural dos finais do século XIX, início do século XX, com os quartos com mobília da época, a cozinha com os respetivos artefactos, uma sala com um tear e uma máquina de costura, a arrecadação com a arca para os cereais e, num anexo, a casa do forno.

Em cada divisão, são projetadas frases escritas pela Irmã Lúcia, a mais velha dos três pastorinhos que, em 1917, foram protagonistas dos acontecimentos de Fátima.

“Lúcia é uma figura incontornável de uma história globalizada desde a primeira hora”, pelo que “não é de estranhar que à sua volta se tenham criado narrativas que não correspondem à verdade”, disse o diretor do Museu do santuário, durante uma visita à casa dirigida aos órgãos de comunicação social, a anteceder a inauguração oficial das obras, agendada para o final da tarde de quinta-feira.

Para evitar incorreções, toda a intervenção foi sustentada em documentos escritos.

Marco Daniel Duarte sublinhou que o trabalho foi pluridisciplinar, acrescentando que também a casa dos santos Francisco e Jacinta Marto – primos de Lúcia -, a 200 metros de distância, vai ser objeto de restauro e de intervenção museológica.

A casa onde Lúcia de Jesus nasceu e viveu nos seus primeiros anos de vida com os seus pais e irmãos foi palco dos primeiros interrogatórios aos videntes.

A reabertura da Casa-Museu da Irmã Lúcia ocorre em plena semana do curso de verão deste ano do Santuário de Fátima, que tem como tema “Lúcia de Jesus: de criança anónima a figura maior do catolicismo contemporâneo”.

Nesta edição, pretende-se aprofundar a biografia e o contexto histórico em que viveu a vidente de Fátima, com especial foco para as instituições religiosas a que pertenceu.

Carlos Cabecinhas, reitor do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte, António Araújo, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e da Fundação Francisco Manuel dos Santos, Manuela Mendonça, da Academia Portuguesa da História, e a Irmã Ângela Coelho, vice-postuladora da Causa de Canonização da Irmã Lúcia, são alguns dos palestrantes neste curso dirigido a quem pretende estudar o fenómeno de Fátima.

No dia 13, assinala-se o primeiro aniversário da leitura do decreto que proclama as “virtudes heroicas" da Irmã Lúcia, cuja promulgação foi autorizada pelo Papa Francisco em 22 de junho de 2023.

A promulgação deste decreto, lido em Fátima pelo bispo de Coimbra, Virgílio Antunes, “abre caminho à beatificação da irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado (…), figura central no conhecimento e divulgação da Mensagem dirigida à humanidade por Nossa Senhora nas Aparições na Cova da Iria, em 1917, faltando agora um milagre”.

A Irmã Lúcia, a mais velha dos três videntes de Fátima, é considerada pelos responsáveis do santuário da Cova da Iria como “figura central no conhecimento e divulgação da Mensagem dirigida à humanidade por Nossa Senhora nas Aparições”, em 1917.

Lúcia de Jesus nasceu em 28 de março de 1907, em Fátima. Após a morte dos primos – os santos Francisco e Jacinta Marto -, Lúcia ingressou no Instituto das Irmãs de Santa Doroteia em 1925, onde permaneceu até 1948.

O seu percurso como Religiosa Doroteia foi maioritariamente vivido em Espanha, onde teve as duas aparições que completam o ciclo da mensagem de Fátima, com os pedidos da Devoção dos Primeiros Sábados (1925), em Pontevedra, e da Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria (1929), em Tuy.

“Ainda durante este tempo, por ordem do Bispo de Leiria, escreve as suas primeiras Memórias, dando assim início a um dos meios através do qual divulgará a mensagem de Fátima: a sua obra escrita”, segundo as suas notas biográficas.

Entrou no Carmelo de Santa Teresa, em Coimbra, a 25 de março de 1948, onde permaneceu até à sua morte, em 13 de fevereiro de 2005.