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Espiritualidade e mística são caminhos para «libertar a liberdade»

Espiritualidade e mística são caminhos para «libertar a liberdade»
Fotografia Avelino Lima

Jorge Oliveira

Jornalista

Publicado em 24 de abril de 2024, às 21:44

Arcebispo Metropolita de Braga presidiu à sessão de abertura de Congresso Internacional no Bom Jesus

Perto de 70 conferencistas, nacionais e estrangeiros, estão reunidos no Bom Jesus, naquele que é o I Congresso Internacional de Espiritualidade e Mística. À procura do não-limite”.

Promovido e dirigido pelo Instituto de História e Arte Cristãs (IHAC) e pelo Instituto de Estudos Avançados em Catolicismo e Globalização (IEAC-GO), este evento científico propõe-se abordar até sábado, em 55 conferências e 8 pósteres, o tema da espiritualidade e da mística, nas suas mais diversas vertentes, partindo de áreas do saber como a Teologia, as Ciências das Religões, a História, a Filosofia a Antropologia, a Medicina, a Psicologia, a Sociologia, a Arquitetura, as Artes, as Ciências da Educação.

Na sessão de abertura, esta tarde, na Colunata de Eventos do Bom Jesus, na véspera da comemoração dos 50 anos do 25 de Abril, o Arcebispo Metropolita de Braga, D. José Cordeiro, apontou a espiritualidade e a mística como «caminhos para libertar a liberdade».

«O Cristianismo fundamenta-se numa experiência tocante, qualificante que muda gente desesperada em testemunhas de uma vida transformada. Às vezes entende-se a mística como uma espiritualidade envolta em mistério, em sentido enigmático, porém a mística é uma experiência com a própria experiência no íntimo do próprio experimentar», referiu o prelado, acrescentando que «onde há fé existe liberdade».

O presidente da Comissão Organizadora, o cónego José Paulo Abreu, explicou que com este congresso, numa cidade «carregada de religiosidade e espiritualidade e com muita devoção e romaria», pretende-se «chegar ao outro lado, do ser e da vida, conhecer caminhos de perfeição, chegar ao estético, ao harmonioso e ao belo, ir para além do que nos confina».   

E durante o Congresso vão ser dados a conhecer e enaltecidas as virtudes de místicos que precisamente «cultivaram o espírito, a imaterialidade, a alma», alguns deles pertencentes à Arquidiocese de Braga como Bartolomeu dos Mártires (santo), Alexandrina de Balasar (beata), Frei Bernardo de Vasconcelos (venerável), o padre Abílio Correia, mas também místicos de Espanha, Itália, França, Brasil, Colômbia, Grécia, Israel.

A presidente da Comissão Científica, Eugénia Abrantes, lamentou que a nossa época esteja «povoada de místicos abortados».

«Será que interessará a muitos que os místicos estejam na sombra do conhecimento porque eles incomodam muito? Será justo que Portugal que carrega no seu dorso tantas místicas e tantos místicos continue a votá-los a um cárcere de silêncio?», questionou.

Para Eugénia Abrantes, «não é possível falar de Portugal ignorando o Cristianismo» e um «mundo sem espiritualidade, sem mística é um mundo sem chão maternal, logo é infecundo»

«Nada do ser humano está fora da mística», acrescentou.

O presidente da Confraria do Bom Jesus, o cónego Mário Martins, deu as boas-vindas a todos os participantes e desejou que no decorrer do evento, neste «lugar de encontro e reencontro, todos se sintam sempre abraçadas e presenteados pelos encantos incomparáveis deste santuário e de toda a estância».

O anfitrião referiu que é preciso «abrir o coração e todos os sentidos» para «descobrir Deus na beleza e subtiliza de cada um dos encantos» do santuário do Bom Jesus.

A Câmara Municipal de Braga fez-se representar na sessão de abertura pela vice-presidente, Sameiro Aráujo, segundo a qual este congresso é fundamental para refletir sobre matérias que «têm sido pouco abordadas e estudadas no nosso país».

«Este congresso internacional constitui uma oportunidade excecional imperdível para uma reflexão profunda acerca da vida do humano, do divino, do futuro», considerou a autarca, acrescentando que os tópicos que vão ser apresentados pelos conferencistas «interessam a todos, pois cada um tem a sua espiritualidade e a sua mística, é uma dimensão que faz parte da natureza humana».

Em representação da Câmara de Guimarães esteve  Adelina Pinto. A vice-presidente expressou o desejo de que este congresso de espiritualidade ajude a «desenhar novos caminhos» neste mundo «de guerra, de lutas, de fome, de desrespeito pelo outro».

A autarca referiu que o caminho seguido nas últimas décadas, «muito centrado no poder das ciências exatas, dos algoritmos, da economia, da biologia, da Inteligência Artificial, na busca de outros mundos, não resultou» e «teremos de ser muitos inteligentes e não fazer o mesmo caminho e esperar resultados diferentes».