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Papa condena investimento em armas num mundo com falta de comida e água

Papa condena investimento em armas num mundo com falta de comida e água
Fotografia DR

Redação

Agência Ecclesia

Agência noticiosa católica

Publicado em 17 de outubro de 2023, às 11:00

Papa lembra que acesso a água potável é um direito humano, fundamental e universal.

   O Papa condenou ontem o investimento em produção e compra de armamentos, num mundo em que milhões de pessoas vivem sem acesso digno a comida ou água potável. Uma mensagem crítica deixada no dia em que se celebrou o Dia Mundial da Alimentação, este ano sob o lema “Água é vida, água é alimento. Não deixe ninguém para trás”. As várias guerras em curso também inspiraram a mensagem de Francisco.

«Infelizmente, assistimos hoje a uma escandalosa polarização das relações internacionais, devido às crises e confrontos existentes. Desviam-se para a produção e comércio de armas enormes recursos financeiros e tecnologias inovadoras que poderiam ser usados para tornar a água uma fonte de vida e de progresso para todos», escreve Francisco, na sua mensagem para o Dia Mundial da Alimentação 2023. A mensagem Papal é endereçada ao Qu Dongyu, político chinês e nono diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

Na missiva, o Santo Padre sublinha que este Dia Mundial da Alimentação se celebra num momento em que «a miséria e o desespero não dão trégua», antes de recordar «os gritos de angústia e desespero dos pobres». «A condição de fome e desnutrição que fere gravemente tantos seres humanos é o resultado de uma acumulação iníqua de injustiças e desigualdades, que deixa muitos presos na sarjeta da vida e permite que alguns se estabeleçam num estado de ostentação e opulência», lamenta. Francisco alarga a sua reflexão a todos os recursos básicos, «cuja inacessibilidade para muitas pessoas representa uma afronta à sua dignidade intrínseca». 

 

Água nunca deve ser comercializada como mercadoria

Segundo a FAO, mais de 600 milhões de pessoas dependem de sistemas alimentares aquáticos que enfrentam a poluição, a degradação dos ecossistemas e impactos das alterações do clima.

«A água nunca deve ser vista como uma mera mercadoria, um produto a ser comercializado ou um bem a ser especulado», indica o pontífice. O Papa recorda «o valor insubstituível» da água, apontando à «necessidade urgente de planear e implementar a sua gestão de forma sábia, cuidadosa e sustentável». «Em muitas partes do mundo, irmãos e irmãs sofrem de doenças ou morrem precisamente por causa da ausência ou escassez de água potável. As secas causadas pelas mudanças climáticas estão a deixar vastas regiões estéreis e causam enormes estragos nos ecossistemas e nas populações».