O Arciprestado de Vila Verde peregrinou, hoje, debaixo de chuva, ao santuário de Nossa Senhora do Alívio, em Soutelo.
Presidiu à celebração da missa campal o Arcebispo Emérito de Braga, D. Jorge Ortiga, em substituição do Arcebispo, D. José Cordeiro, que esteve ausente do país nos últimos dias, a participar em Quito, Equador, na Assembleia Plenária do Pontifício Comité Europeu para os Congressos Eucarísticos Internacionais como delegado da Conferência Episcopal Portuguesa.
Apesar da chuva, o recinto encheu-se de devotos, vindos de todas as paróquias de Vila Verde, numa manifestação de fé e aclamação à Senhora do Alívio que é muito acarinhada no Arciprestado.
Na Eucaristia, D. Jorge Ortiga centrou a sua homilia no processo sinodal que está em curso na Igreja Católica e exortou os peregrinos a colocarem o sínodo nas suas vidas pessoais e depois nas suas comunidades paroquiais, ultrapassando divergências, conflitos, numa atitude de concórdia e comunhão e tendo sempre presente o perdão.
«Temos de acordar e trabalhar para que este movimento de renovação eclesial comece efetivamente na paróquia, com o trabalho de cada um e nos diversos organismos, movimentos ou associações. De Roma surgirão muitas novidades, mas o sínodo deve significar vontade de construir a partir de baixo, das nossas comunidades, a começar em nós e entre nós. O sínodos nunca pode ficar num passatempo eclesial que está lá longe e nós a assistir passivamente», disse.
Neste caminho de renovação eclesial, considerou D. Jorge Ortiga, é provável que muitos fiquem «frustados nas suas expetativas», ou porque queriam mais ou porque acham que o sínodo foi longe demais, mas «se não permitirem que aconteça no interior nada de novo se verá posteriormente».
«Teremos de ver o mundo e a Igreja em moldes novos. (...) Não vai ser fácil. Mas sem esta reviravolta interior nunca compreenderemos o que o Espírito quer dizer à Igreja de hoje», notou.
O prelado salientou ainda que para fazer sinodalidade é necessário que a paz e a concórdia reine nos relacionamento entre as pessoas nas comunidades paroquiais.
«Ninguém na Igreja é dono da Igreja, mas dentro da Igreja somos um dom, alguém que oferece aquilo que tem e aquilo que é e o faz com generosidade, a partir de casa, a partir do trabalho, a partir dos movimentos e dos grupos. Todos nós temos dons que podemos oferecer», salientou.
D. Jorge Ortiga acrescentou que todos devem trabalhar a comunidade «sem medo dos erros e dos conflitos» e, recordando as Leituras do dia, apontou o perdão como um hábito a ser cultivado no dia a dia de cada pessoa e na vida da paróquia.
«O perdão é o caminho. Perdoar não 7 vezes, não 70X7, mas perdoar sempre. Se o perdão for um hábito na nossa vida nunca deixaremos acumular ofensas, histórias que por vezes geram conflito, coisas que vão dificultar o sentido da comunhão e da participação e da responsabilidade da Igreja. Onde existe o perdão a comunidade cresce, onde existir o ódio ou mesmo a hostilidade a comunidade quase que não existe», acrescentou.
No final da Eucaristia o arcipreste de Vila Verde agradeceu a presença de todos quantos peregrinaram ao santuário da Senhora do Alívio, num dia chuvoso, desde crianças, jovens, adultos e idosos, individualmente ou em família.
O padre Carlos Lopes notou a presença de vários grupos de jovens que caminharam uns vestindo a camisola da Jornada Mundial da Juventude outros a do Escutismo, mas todos «vestindo a camisola de Cristo» que, disse, «é a mais importante de todas».
Agradeceu também a todos os que têm contribuído no santuário para que «o amor a Nossa Senhora continue a crescer».