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JMJ: Organização quer evento inclusivo e tem inscritas 1 500 pessoas com deficiência

JMJ: Organização quer evento inclusivo e tem inscritas 1 500 pessoas com deficiência
Fotografia JMJ Lisboa 2023/Flickr

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 11 de julho de 2023, às 10:13

A organização desenvolveu uma estratégia de inclusão baseada em seis pontos.

A organização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de Lisboa desenvolveu uma estratégia de inclusão baseada em seis pontos e, a menos de um mês do evento, conta com 1 500 inscrições de pessoas com algum tipo de deficiência.

“Estamos a fazer todos os esforços para que a JMJ seja acessível a todos, é isso que queremos. Temos inscritas cerca de 1 500 pessoas com algum tipo de deficiência, oriundas de várias partes do mundo”, disse à Lusa Carmo Diniz, do Gabinete de Diálogo e Proximidade, do Comité Organizador Local (COL). De acordo com a responsável, as pessoas com deficiência inscritas na JMJ, que decorre na primeira semana de agosto, vão participar de diversas formas, nomeadamente integradas em grupos das dioceses, de algumas instituições, e individualmente.

Carmo Diniz, que é diretora do serviço de Pastoral a pessoas com deficiência do Patriarcado de Lisboa e da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), garante que os organizadores da JMJ trabalham “há muito numa estratégia de atenção à deficiência, que tem vindo a ser desenvolvida com um grupo alargado de instituições das várias áreas da deficiência”.

Segundo a responsável, “a estratégia implementada assenta em seis eixos fundamentais: convite, participação, comunicação, alojamento, acessibilidade e mobilidade. “É à volta destes seis eixos que temos estado a desenvolver uma série de iniciativas, com o propósito de garantir a participação das pessoas com deficiência na Jornada Mundial da Juventude como um todo, dentro da sua liberdade e vontade”, refere.

Ao nível da comunicação, Carmo Diniz explica que estão a ser trabalhados temas como a língua gestual, o braille, e os sistemas de comunicação alternativa, como o Sistema Pictográfico de Comunicação. “Estamos a trabalhar com o Centro de Recursos para a Inclusão Digital do Instituto Politécnico de Leiria, que está a produzir vários materiais de comunicação para todos. Ou seja, a pegar em peças fundamentais da jornada e a colocá-las em formatos acessíveis”, refere, acrescentando que “foi assumido desde o início que o site da JMJ e a aplicação teriam de ser acessíveis a todos”.

Segundo Carmo Diniz, as pessoas com deficiência que não se inscreverem na JMJ e queiram deslocar-se aos dois espaços do evento – o Parque Tejo e o Parque Eduardo VII – conseguem aceder a todas as informações no site do evento.

A organização decidiu não ter voluntários específicos nos locais onde está prevista a presença de pessoas com deficiência, optando antes por preparar todos para essa realidade: “Com a direção de acolhimento e voluntariado criámos um módulo específico com indicações e de atenção à deficiência”. “Não vamos pessoas especificas para lidar com a deficiência, o que teremos, nos locais designados será um reforço do número de voluntários, pois, naturalmente, será precisa muita ajuda”, afirma.

Carmo Diniz garante que a organização portuguesa falou com organizadores de jornadas anteriores, nomeadamente da JMJ do Panamá, que decorreu em 2019, sobre a forma como foi tratada a temática da deficiência, mas destaca “as diferentes realidades de cada país”. “Temos sempre de ajustar as condições à nossa realidade, e à nossa forma de fazer as coisas”, afirma a responsável, acrescentando que foram também replicadas as formas de lidar com a temática utilizadas no Santuário de Fátima e na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Considerado o maior acontecimento da Igreja Católica, a JMJ vai realizar-se entre 1 e 6 de agosto em Lisboa, sendo esperados cerca de 1,5 milhões de pessoas. A edição deste ano contará com a presença do Papa Francisco, que estará em Portugal entre 2 e 6 de agosto.