twitter

Bloco de Esquerda acusa Câmara de Viana do Castelo de promover machismo

Bloco de Esquerda acusa Câmara de Viana do Castelo de promover machismo
Fotografia

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 15 de maio de 2024, às 18:16

Em causa está a exposição “Mulher, Amor e Flor”

A distrital do Bloco de Esquerda (BE) de Viana do Castelo acusou hoje a Câmara de Viana do Castelo de promover o machismo na iniciativa Viana Florida que está a decorrer até final do mês em vários espaços da cidade.

Em causa está a exposição “Mulher, Amor e Flor”, integrada no programa da Viana Florida, promovida pelo pelouro do Ambiente, patente até final do mês, no jardim público da cidade.

Num dos painéis que compõem a exposição, retirado, na terça-feira, pela câmara, podia ler-se a frase: “Mesmo que se diga que, por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, na realidade, é a partir do poder feminino da reconciliação, do criar e gerir, que nasce um grande homem”.

Na fotografia que ilustrava o painel da visita podia ver-se Américo Tomás, último presidente da República do Estado Novo, com a esposa Gertrudes, em 1959, durante uma visita a Viana do Castelo.

Questionada pela agência Lusa, a autarquia respondeu por escrito com a posição do presidente da Câmara de Viana do Castelo. Luís Nobre, considera que “apesar de [na fotografia] não estarem identificadas as pessoas”, a autarquia “compreende a situação e para não criar interpretações dúbias, optou por retirar a foto em causa”.

Em comunicado hoje enviado à agência Lusa, intitulado “o machismo saiu à rua e vestido de flores” o BE, “que se tem batido pela igualdade de género, contra o machismo, a misoginia e o patriarcado, condena esta visão que a Câmara Municipal de Viana do Castelo tem da mulher, como também o facto de utilizar uma imagem que revisita uma altura em que as mulheres não tinham quaisquer direitos”.

“Mulher não é sinónimo de dona de casa, mulher não é sinónimo de cuidados, mulher não é sinónimo de flor, mulher não é sinónimo de criadora, mulher não é candura. As mulheres não querem flores, querem direitos”, sustenta.

Para o partido, “não deixa de ser surpreendente que, volvidos 50 anos do 25 de Abril, num espaço de menos de dois meses as mulheres terem sido remetidas à sua posição de cuidadoras e donas de casa, várias vezes”.

Segundo o BE, a exposição “Mulher, amor e flor”, “demonstra como ainda temos um longo caminho pela frente no que toca ao machismo estrutural da nossa sociedade, que remete a mulher para um papel de candura e recato como em tempos passados”.

O presidente da câmara considera que esta “situação não deveria ser de arremesso político”.

“A intenção da exposição é de valorizar a mulher e o seu papel na sociedade, ao longo dos tempos. A posição do Bloco de Esquerda subverte e faz uma leitura oposta ao que se pretendia, o que é de lamentar”, frisa o autarca socialista.