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"Mãe Lúcia" criou há 35 anos têxtil familiar em Esposende que hoje fatura 25 ME

"Mãe Lúcia" criou há 35 anos têxtil familiar em Esposende que hoje fatura 25 ME
Fotografia ZilianOfficial - Youtube

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 26 de outubro de 2023, às 17:11

Uma têxtil familiar em Forjães, Esposende, que nasceu há 35 anos pela mão da “mãe Lúcia” dá hoje emprego a 120 pessoas, fatura anualmente 25 milhões de euros e exporta 95% da sua produção para cerca de 40 países.

 

Os números foram hoje avançados por Bruno Correia, filho da fundadora e um dos atuais responsáveis da Etfor, durante uma visita guiada à fábrica, em que foi realçada a aposta numa cadeia de valor sustentável, eficiente no uso de energia e recursos, reduzindo o desperdício e a pegada ambiental.

“Exportamos sobretudo para a Europa, com Espanha, Itália, Alemanha, Bélgica e Holanda à cabeça”, referiu Bruno Correia.

Os Estados Unidos da América são outro mercado “muito interessante”, estando ainda a China a “emergir”, de há dois anos a esta parte.

“Terminámos em 2021 as obras de ampliação da fábrica, triplicando o espaço para 7.000 metros de área coberta, num investimento de 4,5 milhões de euros”, disse ainda Bruno Correia.

Especialista em malhas circulares, a Etfor tem hoje capacidade para produzir 500 mil peças por mês.

Em 2004, a empresa criou a marca de moda para bebés e crianças “Play Up”, com “um forte compromisso com a natureza”, tendo hoje dado a conhecer a nova coleção, assente na economia circular e que usa um novo fio ('close the loop'), criado a partir do resíduo e 100% reciclado e reciclável.

Até 2025, as ambições da “Play Up” passam por ter 20% das matérias-primas provenientes de fios 'close the loop'; 5% da receita ser proveniente de modelos de gestão circulares e 50% de rastreabilidade da cadeia de valor.

A Etfor foi fundada pela “mãe Lúcia”, que atualmente, aos 72 anos, continua no ativo, incidindo a sua ação sobretudo “na parte criativa” das peças, enquanto a parte da gestão está entregue aos seus quatro filhos.

Lúcia Lages confessou à Lusa que, quando há 35 anos decidiu pôr a funcionar uma “pequena fábrica”, com cerca de uma dezena de operárias, estava longe de imaginar que a empresa iria atingir a atual dimensão.

Como contou, descobriu a sua “grande paixão” pela arte de costurar ainda na adolescência, tendo começado por trabalhar para algumas fábricas da região, até se abalançar na construção de um pavilhão, graças a um empréstimo de 500 contos [2.500 euros] concedido por um familiar.

Pelo caminho, teve de ultrapassar alguns percalços, entre os quais um “calote” de 2,5 milhões de euros de um cliente suíço que “abanou” a empresa e fez temer pelo futuro.

“Mas hoje aqui estamos. Temos património, não devemos nada a ninguém, temos clientes em vários países, fizemos um investimento muito grande nas instalações e os nossos olhos estão sempre postos no futuro”, rematou “mãe Lúcia”.