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Sindicato acusa CGD de intransigência ao querer impor aumentos salariais abaixo da inflação

Sindicato acusa CGD de intransigência ao querer impor aumentos salariais abaixo da inflação
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Publicado em 14 de março de 2023, às 14:39

Os trabalhadores das empresas do grupo CGD pedem aumentos salariais em linha com a inflação e apontam aos lucros do banco em 2022.

O Sindicato dos Trabalhadores das Empresas do Grupo CGD criticou hoje a CGD por querer impor aumentos salariais abaixo da inflação, de 4,5%, e acusou o banco público de intransigência no processo negocial.

Em comunicado, o sindicato disse que, “após seis reuniões negociais, está cada vez mais difícil chegar a um acordo salarial com a CGD” pois esta quer impor um aumento salarial médio de 4,5% face a uma inflação de 7,8% em 2022 e prevista de 5,8% para este ano (pelo Banco de Portugal).

O STEC diz que tem estado neste processo negocial de boa-fé e disponível para negociar, tendo até já feito várias reformulações das suas propostas junto da administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD), exigindo atualmente 95 euros de aumento igual para todos os trabalhadores. Contudo, não tem sido possível um acordo e rejeita "a intransigência de uma limitação salarial que desvirtua e subverte o processo negocial".

O STEC recorda que o banco teve “lucros astronómicos de 843 milhões em 2022” o que o seu presidente executivo, Paulo Macedo, fala mesmo que “as empresas têm de pagar melhor às pessoas”.

“Naturalmente referindo-se a quaisquer outras empresas, que não à CGD a que preside”, afirma o sindicato.

Sobre a posição da CGD de avançar já com um adiantamento do aumento salarial de 4%, caso não haja entendimento, o STEC diz que tal “afronta o processo negocial” e que “empobrece os trabalhadores do ativo”, que deveriam ter aumentos maiores, e “atira para 'terra de ninguém' os reformados e os pré-reformados”, que não são abrangidos por esse adiantamento.

O STEC avisa que, perante esta posição do banco, se pode "antever um cenário de fortes e preocupantes convulsões sociais internas" já que os trabalhadores assistem à "degradação contínua das suas condições de vida" com a inflação e com aumentos dos encargos com os créditos à habitação sem aumentos salariais.

O STEC ainda aguarda ser recebido pelo secretário de Estado do Tesouro, tendo já este mês reunião com a Comissão parlamentar de Orçamento e Finanças.


Autor: Agência Lusa