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Forças Armadas alvo de ciberataque, documentos colocados à venda

Forças Armadas alvo de ciberataque, documentos colocados à venda
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Publicado em 08 de setembro de 2022, às 12:58

Fuga de documentos da NATO teve origem em ciberataque às Forças Armadas. Documentos foram encontrados à venda na darkweb.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA) foi alvo de um "ciberataque prolongado e sem precedentes" que resultou na fuga de documentos classificados da NATO que foram postos à venda na darkweb, noticiou esta quinta-feira o Diário de Notícias (DN).

Segundo o mesmo jornal, o Governo português foi informado do ciberataque pelos serviços de informações norte-americanos, através da embaixada em Lisboa, por via de uma comunicação que terá sido feita diretamente ao primeiro-ministro, António Costa, em agosto.

O ciberataque é considerado de "extrema gravidade" e terão sido os ciberespiões da Inteligência norte-americana a detetar a venda "na darkweb centenas de documentos enviados pela NATO a Portugal, classificados como secretos e confidenciais".

A primeira averiguação do caso, realizada por peritos do Gabinete Nacional de Segurança (GNS), do Centro Nacional de Cibersegurança e pelos militares do Centro Nacional de Ciberdefesa, terá identificado os computadores no EMGFA, no Centro de Informações e Segurança Militares e na Direção Geral de Recursos de Defesa Nacional, a partir dos quais os documentos foram obtidos, e terá sido constatada a quebra de regras de segurança para a transmissão de documentos classificados. A NATO terá pedido explicações ao Governo português e, de acordo com o DN, o secretário de Estado da Digitalização e da Modernização Administrativa, Mário Campolargo, que tutela o GNS, e o diretor-geral deste Gabinete, vice-almirante Gameiro Marques, vão na próxima semana ao quartel-general da Aliança, em Bruxelas, para uma reunião no NATO Office of Security. Gabinete de Costa a acompanhar o caso

Contactado pela agência Lusa, o gabinete do primeiro-ministro refere que está a acompanhar diretamente este caso e que, para já, “nada mais tem a adiantar” face àquilo que transmitiu ao Diário de Notícias sobre este caso, declarando que "o Ministério da Defesa Nacional e as Forças Armadas trabalham diariamente para que a credibilidade de Portugal, como membro fundador da Aliança Atlântica, permaneça intacta".

A porta-voz de António Costa declarou ao jornal que "a troca de informação entre aliados em matéria de segurança da Informação é permanente nos planos bilateral e multilateral” e que, “sempre que existe uma suspeita de comprometimento de cibersegurança de redes de sistema de informação, a situação é extensamente analisada e são implementados todos os procedimentos que visem o reforço da sensibilização em cibersegurança e do correto manuseamento de informação para fazer face a novas tipologias de ameaça. Se, e quando, se confirma um comprometimento de segurança, a subsequente averiguação sobre se existiu responsabilidade disciplinar e/ou criminal automaticamente determina a adoção dos procedimentos adequados".

Já o Ministério da Defesa salientou ao DN que "todos os ciberataques a qualquer entidade pública são objeto de coordenação estreita entre as entidades que, em Portugal, são responsáveis pela cibersegurança", estando a situação a ser analisada pelo GNS, pelo Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) e pelo Serviço de Informações de Segurança (SIS).    
Autor: João Pedro Quesado/Lusa