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Petição com mais de duas mil assinaturas pede regresso dos manuais em papel

Petição com mais de duas mil assinaturas pede regresso dos manuais em papel
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 23 de março de 2024, às 10:08

A pedir o fim do projeto-piloto levado a cabo pelo ministério da Educação

Mais de duas mil pessoas assinaram uma petição a pedir o fim do projeto-piloto de manuais digitais nas escolas, apontando atrasos na aprendizagem e riscos de acesso a conteúdos indevidos, como pornografia ou violência.

O Ministério da Educação decidiu levar a cabo um projeto de substituição de manuais em papel por livros digitais, que começou de forma gradual em 2020/2021. O programa é voluntário e conta com cada vez mais estabelecimentos de ensino: Este ano são 23.159 alunos do 3.º ao 12.º anos em cerca de 160 escolas de todo o país, segundo dados avançados à Lusa pela tutela.

No entanto, há pais e professores que estão contra o projeto e pedem a sua suspensão. Há três meses, Catarina Prado e Castro lançou uma petição “Contra a excessiva digitalização no ensino e a massificação dos manuais escolares digitais: Petição Pública (peticaopublica.com)”, que conta agora com 2.219 assinaturas.

O abaixo-assinado defende que os livros em papel são “recursos mais saudáveis e eficazes para todas as crianças” e por isso pede o “fim imediato do projeto-piloto” dos manuais digitais, lembrando que as crianças e adolescentes já passam tempo excessivo em frente a ecrãs, com consequências negativas para a sua saúde.

“Especialistas das mais variadas áreas, desde a neurociência, à oftalmologia, psicólogos ou professores, têm alertado para a exposição e o uso excessivo de ecrãs, mas a escola decidiu aumentá-lo, sem perguntar aos pais nem aos professores”, criticou Catarina Prado e Castro, em declarações à Lusa.

"Aprender através de um ecrã prejudica as aprendizagens, porque diminui a capacidade de leitura, de atenção e de memorização". Alem disso, acrescentou, os computadores onde as crianças têm os livros para estudar são os mesmos “onde estão os jogos e as redes sociais”.

A mãe de dois rapazes conta que já percebeu que por vezes os filhos estão a estudar no computador, mas têm também os jogos abertos ou estão a ver vídeos.

Catarina Prado e Castro disse ainda estar preocupada com a navegação online sem supervisão, contando que na escola dos filhos já houve alunos apanhados a ver pornografia ou outros sites inapropriados nos telemóveis.

A mãe alerta que “os riscos nos computadores são precisamente os mesmos, caso os mesmos não tenham filtros, o que nem sempre é garantido na entrega dos computadores e nem sequer é ensinado aos pais”.

Além disso, com este projeto-piloto, o acesso à Internet “deixa de ser uma opção dos pais e passa a ser obrigatório em crianças logo a partir dos 7 ou 8 anos”, salientou a mãe que defende um acesso controlado à Internet.

“Não quero que os meus filhos passem demasiado tempo a olhar para ecrãs e que em vez de estudarem estejam num registo multitasking a envolver tarefas escolares e recreativas simultaneamente. As crianças usam ecrãs para fins meramente recreativos e não têm capacidade de se auto-regularem no momento em que devem estudar por um dispositivo que oferece inúmeras possibilidades de distração”, disse à Lusa. 

A autora do abaixo-assinado revelou que a petição será entregue no início do próximo mês na Assembleia da República.