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Mortágua afirma que BE não viabiliza nem Governo nem orçamento de direita

Mortágua afirma que BE não viabiliza nem Governo nem orçamento de direita
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 20 de março de 2024, às 14:06

Em matérias concretas votará de acordo com o seu programa eleitoral e político

A coordenadora bloquista reiterou hoje que o BE “não viabiliza orçamentos da direita”, apesar de considerar que orçamentos retificativos são ainda “cenários hipotéticos”, ressalvando que em matérias concretas votará de acordo com o seu programa eleitoral e político.

No final da reunião com o PAN, a primeira da ronda com os partidos de esquerda e ecologistas pedidas pelo BE na sequência das legislativas, Mariana Mortágua foi questionada pelos jornalistas sobre a disponibilidade mostrada na véspera pelo secretário-geral do PS para viabilizar um Orçamento retificativo da AD limitado a “matérias de consenso”, referindo-se à valorização das grelhas salariais de alguns grupos profissionais da administração pública.

“Em primeiro lugar, nós estamos a falar sobre cenários hipotéticos. Não há nenhum orçamento retificativo, não há um governo sequer, não há sequer resultados contados das eleições”, começou por responder.

A posição do BE é, segundo Mariana Mortágua, a garantia que deu aos eleitores e aos cidadãos “antes das eleições” de 10 de março.

“O Bloco Esquerda não viabilizará um governo de direita, não viabilizará um orçamento de direita”, reiterou.

No entanto, a líder do BE deixou a ressalva sobre “matérias concretas”, usando como exemplo “toda a história parlamentar” em que “diferentes partidos votam de diferentes formas, diferentes projetos, diferentes matérias” de acordo com o seu programa.

“Politicamente a garantia que demos e que se mantêm é que o Bloco de Esquerda não viabiliza governos de direita, não viabiliza orçamentos de direita”, insistiu.

Quanto ao resto, de acordo com Mortágua, o BE “vota em matérias concretas como o seu programa eleitoral e o seu programa político determinam”.

Na terça-feira, em declarações aos jornalistas no Palácio de Belém, após uma audiência de cerca de duas horas com o Presidente da República, Pedro Nuno Santos salientou que não há uma maioria governativa à esquerda, pelo que o papel do PS será liderar a oposição.

O líder do PS referiu que o facto de o partido liderar a oposição não significa que não será uma “oposição responsável” e, apesar de não votar “documentos ou iniciativas legislativas sobre matérias com as quais não concorda”, também não se oporá a entendimentos “em matérias onde há pontos de vista comuns”.

“Desde logo, ao longo da campanha, foi notório para todos que haviam um largo consenso, que extravasa aliás o próprio PS e a AD, sobre a necessidade de valorizarmos as carreiras e as grelhas salariais de alguns grupos profissionais da administração pública”, sublinhou.

O secretário-geral do PS indicou estar a referir-se aos “professores, forças de segurança, profissionais de saúde” e oficiais de justiça e garantiu que o PS está disponível para encontrar com o futuro Governo “uma solução que permita que, até ao verão, estes profissionais tenham a sua situação resolvida”.

“Tendo em conta que pode ser necessário alterar limites de despesa, nós estamos disponíveis para viabilizar um orçamento retificativo que esteja limitado às matérias de consenso”, anunciou.

Pedro Nuno Santos considerou que esta é uma maneira de se resolver “uma questão que é transversal a todos”, sublinhando que o PS “não estaria confrontado com a votação de uma iniciativa ou de um orçamento com propostas com as quais não concorda”, porque esse orçamento retificativo ficaria limitado “às matérias sobre as quais existe um amplo consenso junto dos partidos políticos com representação parlamentar”.