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Estudo confirma importância da ecografia na deteção de cancro da mama

Estudo confirma importância da ecografia na deteção de cancro da mama
Fotografia Unsplash

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 03 de outubro de 2023, às 14:22

A ecografia pode ser uma importante ferramenta de diagnóstico do cancro da mama, sobretudo em jovens e mulheres com maior densidade mamária, concluiu um estudo da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (ESTeSC).

“A densidade da mama – que é maior na população jovem – pode mascarar algumas patologias que, no entanto, podem ser detetadas através de ecografia”, explicou a docente Rute Santos, daquele estabelecimento de ensino do Instituto Politécnico de Coimbra, num comunicado enviado à agência Lusa.

Apesar de ser a ferramenta de diagnóstico mais utilizada no rastreio do cancro da mama, a mamografia apresenta algumas limitações e nem sempre consegue identificar lesões mamárias.

Segundo a investigadora e coordenadora do estudo, “a ecografia permite detetar quistos e fibromas que nem sempre são identificados através do exame físico e da mamografia e que podem, ou não, evoluir para quadros mais adversos”.

No estudo, 105 mulheres (com idades entre os 18 e os 79 anos) foram submetidas a exames de ultrassonografia (ecografia) mamária. Em 31 casos, a ecografia revelou alterações do tecido mamário – sendo que apenas sete mulheres revelaram ter conhecimento prévio dessas alterações.

No entanto, Rute Santos advertiu que a ecografia não deve substituir-se à mamografia, já que os dois exames são distintos e complementares.

Os resultados apontam para um aumento da precisão do diagnóstico quando a ecografia é utilizada como exame complementar à mamografia.

A ecografia pode ser utilizada como meio de diagnóstico precoce – “sendo uma alternativa à mamografia em populações jovens, que genericamente apresentam maior densidade mamária – mas deverá ser utilizada apenas de forma complementar a partir dos 50 anos, idade a partir da qual a Direção-Geral de Saúde recomenda o rastreio bianual através de mamografia”, sublinhou a docente da unidade científico-pedagógica de Imagem Médica e Radioterapia da ESTeSC.

“Não pretendemos alarmar a população, mas sim mostrar que, com a evolução que a ultrassonografia tem registado ao longo dos últimos anos, esta pode ser um aliado importante no rastreio do cancro de mama e também de outras patologias”, frisou Rute Santos.

A coordenadora do estudo salientou que a ecografia “é uma técnica não invasiva, que não utiliza radiação ionizante e é mais bem tolerada pelo doente, podendo ser portátil também e chegar facilmente a toda a população”.

O estudo “Ultrasound as a Method for Early Diagnosis of Breast Pathology” contou com o apoio de estudantes da ESTeSC e a colaboração de Ana Raquel Ribeiro, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, e Daniela Marques, da clínica Joaquim Chaves Oncologia, tendo sido publicado no Journal of Personalized Medicine.

Segundo o comunicado, o cancro da mama é a neoplasia maligna mais frequentemente diagnosticada na população feminina em Portugal, sendo a segunda principal causa de morte nas mulheres (ainda que a doença possa também afetar a população masculina).

De acordo com a ESTeSC, em 2020 foram detetados 7.000 novos casos, que resultaram na morte de 1.800 pacientes.