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Credibilidade de Portugal na NATO fragilizada por falta de investimento

Credibilidade de Portugal na NATO fragilizada por falta de investimento
Fotografia DR

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 06 de julho de 2024, às 11:36

Segundo diplomatas

Diplomatas ouvidos pela Lusa consideram que a credibilidade de Portugal dentro da NATO está fragilizada por causa da falta de investimento em Defesa, mas uma reestruturação da sua indústria e antecipação de objetivos poderão reverter esta tendência.

O discurso de Portugal, país que está na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) desde a sua fundação, está fragilizado, reconhecem fontes diplomáticas consultadas pela Lusa.

Por um lado, o país demonstrou sempre disponibilidade para participar em praticamente todas as missões do bloco político-militar e independentemente do Governo o alinhamento com a NATO é absoluto.

Mas Portugal desinvestiu na área da Defesa e não conseguiu acompanhar os objetivos de reinvestimento. Se há uns anos era pedido um máximo 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa (para equiparar os Estados-membros), agora os 2% são o mínimo exigido e este ano pelo menos 23 dos 32 Estados-membros já ultrapassaram essa percentagem do PIB em investimento em Defesa.

De acordo com uma estimativa feita pela NATO para 2024, Portugal deve ser o sétimo país que menos vai investir em Defesa. Um relatório sobre a previsão de despesa nesta área aponta que o país deverá investir 1,55% este ano.

Em 2023, o investimento foi de 1,48%, abaixo da previsão de 1,64% apontada pelo executivo português.

Portugal só aponta para o final da década, mas o Governo que iniciou funções há menos de seis meses já está no bom caminho, reconheceram à Lusa fontes diplomáticas na NATO.

No final de junho, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou no parlamento que o Governo tem ambição de antecipar o 2% de investimento mínimo em Defesa para 2029 (anteriormente era 2030) e que vai apresentar um “plano credível”.

É um esforço para credibilizar Portugal numa altura em que o “discurso já não cola”, apontaram as fontes contactadas pela agência Lusa.

Os diplomatas contactados advertiram que o investimento não pode ser feito só pela perspetiva de melhorar as Forças Armadas, mas também aproveitaram o aumento da procura previsível nos próximos anos.

Fontes diplomáticas consideraram que Portugal tem de investir na sua indústria da defesa e estabelecer-se como um polo para o fabrico de equipamentos que serão necessários e requeridos por vários países.

Incentivos fiscais poderão ser um caminho para atrair investimento estrangeiro para fazer crescer a indústria da defesa em território português, apontaram.

Também no final de junho, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, anunciou que o Governo está a estudar a construção de uma fábrica de munições e que será apresentada ao parlamento “muito em breve”.

“É uma das áreas em que sabemos que a União Europeia toda, eu diria o mundo ocidental, é deficitária. A necessidade de se produzirem munições está identificada ao nível do Governo”, advogou na altura o governante.