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Pimenta gostava de continuar até Los Angeles2028

Pimenta gostava de continuar até Los Angeles2028
Fotografia Instagram / Fernando Pimenta

Agência Lusa

Agência noticiosa

Publicado em 09 de julho de 2024, às 10:39

Paris2024 será a sua quarta participação olímpica

O português Fernando Pimenta gostava de continuar a competir até aos Jogos Olímpicos Los Angeles2028, embora admita que necessite de outros estímulos após Paris2024, naquela que será a sua quarta participação olímpica.

“Eu sinceramente gostava de continuar e é isso que tenho vindo a falar com o meu treinador [Hélio Lucas], é isso que tenho vindo a falar com bastante gente, principalmente os meus amigos mais próximos a quem eu peço conselhos. Alguns acham que se eu conseguir um excelente resultado agora em Paris que devo terminar, a minha opinião neste momento é que não”, referiu.

Em entrevista à agência Lusa, durante um estágio em Avis (Portalegre), o limiano, de 34 anos, assume que só vai continuar “se todas as condições ficarem reunidas para continuar, porque têm sido anos bastante desafiantes, em termos físicos e mentais”.

“Nestes últimos anos, tenho tido muito tempo longe da família, com grande desgaste físico e também mental. Quando é assim, acho que é preciso outros estímulos e ter outro tipo de condições para que consiga chegar lá e continuar este caminho”, advertiu.

Após Paris2024, Pimenta aponta já para o Europeu de maratonas, que se vai realizar em Portugal, como “um dos objetivos a meio prazo”, onde quer tentar “lutar por um título em casa”, admitindo “entrar em algumas tripulações, para ter estímulos diferentes”, sem descurar a sua especialidade no K1.

“Mas, depois, também [preciso] outros estímulos, provavelmente ter um acompanhamento de um fisioterapeuta ou de um massagista de forma mais regular, ter o acompanhamento em certos momentos da família mais perto. Isso são fatores bastante importantes para a longevidade da carreira de um atleta ter a família por perto e ter também condições ótimas de recuperação e de otimização do treino”, destacou.

A preparar-se para disputar os seus quartos Jogos Olímpicos, Fernando Pimenta, que tem uma medalha de prata em K2 1.000 em Londres2012, com Emanuel Silva, e um bronze em K1 1.000 em Tóquio2020, enumerou as diferenças que sente em 12 anos: “a primeira é a idade, depois a experiência e o próprio currículo”.

“Agora, a experiência é outra, os adversários são outros, e a tática de prova também agora é completamente diferente do que se vinha a ver nos anos em que nós começámos a fazer K1, que era uma prova um pouco mais lenta na parte inicial e depois na parte final apertava. Fruto da nossa estratégia, todos os atletas foram-se adaptando a uma nova estratégia, ou seja, uma parte inicial mais rápida, e depois tentar aguentar ao máximo na parte final”, referiu.

No topo da modalidade há mais de uma década, Fernando Pimenta diz que “não há segredos, é fruto de muito trabalho, muito sacrifício”, além de “bastante paixão pela modalidade e pelo país” e de “querer sempre cada vez mais e melhor”.

“Conseguir estar durante 12 anos na senda dos pódios internacionais ao mais alto nível, desde Taças do Mundo, Europeus, Mundiais, Jogos Europeus e Jogos Olímpicos, há muito poucos atletas que eu conheça que tenham conseguido fazer isso. Na canoagem, provavelmente sou dos poucos que consegue fazer isso, até em termos individuais, não em barcos coletivos”, vincou.

Em Paris2024, já sem os históricos Nélson Évora, Telma Monteiro e João Vieira, Pimenta é um dos mais experientes da Missão portuguesa. No entanto, defende que é importante haver “sangue novo”, embora “o sangue mais velho seja sempre muito importante para manter a sanidade da casa e para tranquilizar e passar uma mensagem de bem-estar a toda a equipa e de confiança”.

“Os jovens vêm com toda a força e todo o sangue na guelra e, muitas vezes, é preciso ter alguém mais velho para conseguir colocar um travãozinho naquele momento certo e dar também um estímulo no momento certo [...]. Naquilo que depender de mim, todos os outros atletas, se eu puder ajudar, terei sempre uma palavra amiga, quer para o momento menos bom, quer para o momento bom. Já vai haver muitas pessoas a apoiar, mas eu prefiro dar uma palavra no momento menos bom”, admitiu.