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Exposição de cinco ucranianas refugiadas mostra que «a arte não tem limites»

Exposição de cinco ucranianas refugiadas mostra que «a arte não tem limites»
Fotografia

Publicado em 18 de setembro de 2022, às 09:27

A zet gallery inaugurou ontem a exposição “First Impressions”, que mostra trabalhos de fotografia, pintura, escultura e ilustração.

Cinco mulheres ucranianas, acolhidas em Braga devido à guerra, dão a conhecer a sua criatividade numa exposição patente desde ontem na zet gallery. “First Impressions” mostra trabalhos que vão desde a fotografia à escultura, passando pela ilustração e pintura.

Oriundas de diferentes zonas da Ucrânia e com carreiras distintas, a vida destas mulheres nunca se tinha cruzado até há pouco tempo. Em comum, Hanna Kyselova, Margaryta Alfierova, Nataliia Diachenko, Oleksandra Skliarenko e Yevheniia Antonova têm o facto de estarem longe das suas raízes e se encontrarem na cidade de Braga para um recomeço no qual tentam dar um novo rumo às suas vidas e a expressarem o que lhes vai na alma através da arte.

Segundo explicou Helena Mendes Pereira, diretora geral e curadora da zet gallery, uma das artistas expõe aqui pela primeira vez, uma vez que tinha acabado recentemente a sua formação quando respondeu à “open call”. Uma outra, fotógrafa, decidiu apresentar também trabalhos de escultura.

«O que é interessante aqui é que estas artistas todas elas expandiram a sua zona de conforto, aquilo que era o trabalho que faziam na Ucrânia, para outras áreas, trabalhando com materiais diferentes. Isto prova que quando as pessoas estão em dificuldades a criatividade não tem limites», disse, salientando o «grande privilégio» por acolher estes trabalhos na zet gallery e «contribuir para que a Ucrânia continue a escrever a sua história de arte».

A inauguração desta exposição contou ainda com a presença da ministra Adjunta e dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, que de manhã já tinha assistido ao ensaio, no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, de um grupo de crianças afegãs também acolhido em Braga.

À margem da iniciativa na zet gallery, destacou a possibilidade de cada um poder voltar a encontrar a realização de sonhos e de felicidade. «Julgo que aqui podemos assistir a uma reinvenção das próprias artistas em Braga, que assim podem expandir a sua criatividade e transmitir algumas mensagens mais fortes da guerra», disse.

A Ministra salientou ainda o que mais a impressionou: «perceber que o mundo é pequeno e que podemos fazer pontes, sendo que essas pontes se manifestam nesta liberdade (...). Somos todos muito próximos uns dos outros e temos de dar as mãos uns aos outros».

Ana Catarina Mendes lembrou ainda que o Estado tem vindo a apoiar estes refugiados «desde o início», sendo que os 50 mil acolhidos se encontram inseridos no mercado de trabalho ou nas escolas. «Isso é uma prioridade para nós», ressalvou. «Esta exposição é mais uma prova de que é possível, através da arte, integrar, incluir, sentir-se em casa, e é isso que estamos a fazer enquanto país, do privado ao Estado», vincou.

“First Impressions” fica patente na zet gallery, na rua do Raio, até ao dia 12 de novembro.


Autor: Rita Cunha