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Salão da Mobilidade. Cidades desafiadas a criar condições para reduzir uso do carro

Salão da Mobilidade. Cidades desafiadas a criar condições para reduzir uso do carro
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Publicado em 18 de setembro de 2022, às 12:23

José Mendes, antigo secretário de Estado, considera que é preciso criar "incentivos" para o uso do transporte público, da bicicleta ou a deslocação a pé.

Ter cidades com condições para que não seja preciso pegar no carro para tudo é um dos desafios do setor da mobilidade apontados por José Mendes, antigo secretário de Estado com responsabilidades na área da mobilidade e planeamento.

O diretor executivo da Fundação Mestre Casais falava no âmbito das conferências promovidas pelo Altice Forum Braga, em parceria com a URock, no início do Salão da Mobilidade, que chega hoje ao fim.

Este responsável sublinha a importância da mobilidade, pelo que o caminho a seguir é a redução das consequências negativas que acarreta, tais como a emissão de gases de efeito de estufa, os congestionamentos ou a poluição.

Na perspetiva deste académico, para continuarmos a ter acesso à mobilidade com menos impactos negativos é preciso fazer uma transferência modal, em vez da utilização contínua do automóvel. É necessário escolher o modo mais adequado para cada viagem, que pode ser o transporte público, a bicicleta ou a deslocação a pé.

Em seu entender, é preciso «criar incentivos» para a utilização desses modos, disponibilizando transportes públicos «mais baratos, melhores e descarbonizados».

Paralelamente, é preciso alterar a motorização dos modos de transporte, passando de veículos movidos a combustíveis fósseis, que além de caros emitem gases que provocam efeito de estufa, contribuindo para o aquecimento global, para viaturas amigas do ambiente. «É preciso criar incentivos para que os operadores de transportes, as empresas, façam a transferência para a mobilidade elétrica ou a hidrogénio», defendeu.

José Mendes argumentou que «as nossas cidades foram desenhadas para nos obrigar a circular». Na sua opinião, é importante reduzir as viagens desnecessárias, com a criação de cidades com núcleos ou bairros mais autónomos, que não obriguem a pegar no carro para tudo.

O catedrático afirmou que «há incentivos que podem ser disponibilizados pelo Estado, quer através do Governo, quer das autarquias», mas ressalvou que a mudança «depende, antes de tudo, de cada um de nós», com a adopção de comportamentos amigos do ambiente.

As conferências sobre a mobilidade marcaram o arranque do certame que representa uma evolução do Salão Auto e Moto de Braga para uma abordagem transversal do setor da mobilidade.

Com 28 expositores presentes, que representam mais de 40 marcas, o Salão Mobilidade proporciona um conjunto de atividades para que as famílias possam divertir-se, entre as 10h00 e as 20h00 de hoje, desde uma minipista de karting até à possibilidade de experimentar carros, motas, bicicletas e trotinetes.


Autor: Luísa Teresa Ribeiro