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Braga integra projeto-piloto nacional de rastreio ao cancro da próstata em 2027

Braga integra projeto-piloto nacional de rastreio ao cancro da próstata em 2027
Fotografia DR

Publicado em 03 de fevereiro de 2026, às 15:08

A região de Braga vai integrar um projeto-piloto de rastreio ao cancro da próstata que Portugal pretende implementar em 2027, numa iniciativa que servirá de base à eventual criação de um programa nacional.

A região de Braga vai integrar um projeto-piloto de rastreio ao cancro da próstata que Portugal pretende implementar em 2027, numa iniciativa que servirá de base à eventual criação de um programa nacional. O estudo deverá abranger cerca de 5.000 participantes e será desenvolvido em articulação com Lisboa, envolvendo homens assintomáticos entre os 55 e os 70 anos, convocados através das listas dos centros de saúde.

O rastreio começará com a realização do PSA (Antígeno Prostático Específico), uma análise ao sangue utilizada para detetar alterações na próstata, incluindo cancro. Caso sejam identificados valores elevados, os participantes serão encaminhados para ecografia e, em situações específicas, para ressonância magnética multiparamétrica, quando se verifique densidade de PSA superior ao recomendado.

No total, Portugal deverá testar a eficácia do rastreio junto de uma amostra de cerca de 20.000 participantes, no âmbito de um projeto europeu dependente de financiamento da União Europeia e coordenado por um grupo de trabalho que reúne especialistas ligados à Associação Europeia de Urologia. Segundo o coordenador oncológico da Associação Portuguesa de Urologia, Francisco Botelho, o objetivo passa por avaliar a adesão da população e recolher dados que permitam desenvolver um modelo de rastreio nacional ajustado à realidade portuguesa.

O especialista, urologista na Unidade Local de Saúde São João, no Porto, e docente na Escola de Medicina da Universidade do Minho, em Braga, defende que o cancro da próstata é a neoplasia maligna mais frequente nos homens e a segunda com maior mortalidade, existindo evidência científica de que o rastreio pode contribuir para reduzir o número de mortes associadas à doença.

Atualmente, não existe um programa organizado de rastreio ao cancro da próstata em Portugal. Francisco Botelho defende que a sua implementação implicará um esforço organizacional e financeiro, envolvendo médicos de medicina geral e familiar e a definição de critérios de convocatória, podendo passar por convites diretos à população ou pela realização de análises no âmbito de consultas de rotina.

O especialista considera que o rastreio deverá abranger homens entre os 55 e os 70 anos e defende a necessidade de garantir uma distribuição equilibrada dos exames, alertando que há homens que realizam despistes com frequência excessiva e outros que nunca realizaram qualquer avaliação, surgindo muitas vezes com doença em fases avançadas.

A recomendação para o desenvolvimento de projetos-piloto de rastreio ao cancro da próstata foi apresentada em 2022 pelo grupo científico da União Europeia no âmbito do Plano Europeu de Combate ao Cancro, tendo posteriormente sido adotada como orientação comunitária.

O tema estará também em destaque no evento comemorativo do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, promovido pela Direção-Geral da Saúde, em Lisboa, que reunirá especialistas e representantes institucionais para debater a situação epidemiológica da doença em Portugal, novos modelos de rastreio populacional e os desafios da oncologia.