Fotografia: LUSA/EPA/GEORGE IVANCHENKO

Estamos mais perto que nunca do apocalipse, diz o relógio dos cientistas

O Relógio do Apocalipse marca agora apenas 90 segundos para a meia-noite. A guerra da Rússia contra a Ucrânia não é a única culpada.

João Pedro Quesado
24 Jan 2023

Faltam 90 segundos para a meia-noite, diz o Relógio do Apocalipse. Por outras palavras, nunca antes a humanidade esteve tão ameaçada… por si própria.

Os cientistas responsáveis pelo Relógio do Apocalipse, especialistas em diferentes áreas, atualizaram esta terça-feira a avaliação das ameaças criadas pela humanidade e do perigo que acarretam. A conclusão, motivada “laragamente mas não exclusivamente” pela invasão russa da Ucrânia e pela ameaça nuclear, é que estamos perante um “perigo sem precedentes”.

Bulletin of the Atomic Scientists

A Direção de Ciência e Segurança da revista Bulletin of the Atomic Scientists cita ainda “as ameaças contínuas colocadas pela crise climática” e a “quebra” das normas e instituições globais necessárias para mitigar os riscos associados ao desenvolvimento das tecnologias e a ameaças biológicas.

A presidente da revista, Rachel Bronson, explica que “90 segundos para a meia-noite é o mais perto que o Relógio alguma vez esteve da meia-noite, e é uma decisão que os nossos especialistas não tomaram levemente”.

Na explicação oficial, os responsáveis afirmam que “a guerra da Rússia contra a Ucrânia levantou questões profundas sobre como os estados interagem, erodindo as normas de conduta internacional que sustentam respostas bem sucedidas a uma variedade de riscos globais”.

“O pior de tudo”, dizem, são “as ameaças mal veladas da Rússia em usar armas nucleares lembram que a escalada do conflito – por acidente, intenção ou erro de cálculo – é um risco terrível. A possibilidade do conflito ficar fora do controlo de todos mantém-se alta”, concluem.

Steve Fetter, professor de políticas públicas na Universidade de Maryland, nos Estados Unidos da América, acrescenta que “mesmo que o uso de armas nucleares seja evitado na Ucrânia, a guerra mudou a ordem nuclear” – isto é, o sistema de acordos e entendimentos que foram construídos durante seis décadas para limitar os perigos das armas nucleares”.

Foram esses riscos que levaram a que o comunicado fosse traduzido pela primeira vez para ucraniano e, mais importante, para russo.

Mary Robinson, ex-Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, alerta que “os nossos líderes não estão a agir numa rapidez e escala suficiente para garantir um planeta pacífico e habitável”. A falta de vontade política, dado que “sabemos o que é preciso fazer”, é algo a mudar em 2023 se vamos “evitar uma catástrofe”.

O Relógio do Apocalipse foi criado em 1947, pela revista Bulletin of the Atomic Scientists, e é acertado com o apoio de patronos da revista, que incluem 10 vencedores de prémios Nobel. Desde 2020 que o Relógio estava nos 100 segundos para a meia-noite.

Está é a 25ª vez que os ponteiros do relógio são alterados. Desde 2012 que estes ponteiros indicam menos de cinco minutos para a meia-noite, e o ‘recorde’ anterior era de 2020. Inversamente, o Relógio nunca esteve mais longe da meia-noite do que em 1991, quando marcava 17 minutos – resultado de uma “nova era” de optimismo inaugurada pelo fim da Guerra Fria. Desde aí que todos os acertos foram na direção do afamado apocalipse, mas os perigos das alterações climáticas – “quase tão terríveis como os das armas nucleares” – só entraram na equação dos cientistas em 2007, para nunca mais sair.





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