Fotografia: João Pedro Quesado

A “experiência única” dos alunos da Carlos Amarante no Erasmus+

O Agrupamento de Escolas Carlos Amarante celebrou o Dia do Agrupamento com experiências, exposições e palestras. À tarde, os alunos falaram sobre a experiência de alguns dias ou meses noutros países.

João Pedro Quesado
23 Jan 2023

Esta segunda-feira foi dia de celebrações no Agrupamento de Escolas Carlos Amarante, que celebrou o Dia do Agrupamento com dezenas de atividades entre a escola-sede, a Escola Básica de Gualtar e as escolas EB1 e os jardins de infância que fazem parte do grupo.

No meio das celebrações, houve tempo para a partilha de experiências de alunos no programa Erasmus+, na sala que recebeu os colóquios do dia. A intenção dos professores é levar outros alunos a interessarem-se pelo programa. E, pelo menos naquela sala, havia alguns interessados em participar.

O Erasmus+ junta sob essa designação, desde 2014, todos os programas da União Europeia para educação, formação, juventude e desporto. Assim, a mobilidade de alunos do ensino secundário e profissional insere-se agora neste programa europeu.

Júlia Marques, aluna do ensino secundário, esteve na Turquia, em Eskisehir, com três outras alunas da Escola Secundária Carlos Amarante (ESCA) durante sete dias entre março e abril de 2022. Mas a experiência começou antes da partida, explicou, através dos trabalhos que fazem sobre o país e região que as ia receber.

João Pedro Quesado

“As crianças tratavam-nos como celebridades”, contou a jovem na palestra, que se sentiu bem-vinda na cidade turca, na região da Anatólia Central. Para além de aprenderem sobre os outros países que tinham enviado alunos àquela cidade, as viagens de autocarro eram oportunidades para falarem com outros jovens não só sobre gostos em comum, mas também sobre o funcionamento da educação em cada país, disse.

A “experiência única” foi ainda pontuada por momentos como a viagem de balão de ar quente na Capadócia – conhecida por ser feita ao nascer do sol, sobre paisagens deslumbrantes –, assim como pelas visitas a “pequenas casas turcas”, onde artesãos locais estavam prontos a ensinar-lhes a arte da olaria local.

Já o João, o Bruno, o Rodrigo e o Jaime, do curso profissional de informática, estiveram um mês em 2022 em Sófia, capital da Bulgária, a fazer um estágio numa empresa local da área. Viveram os quatro juntos e a experiência fez com que lidassem “com muitas emoções” – para além de dividirem as tarefas domésticas.

João Pedro Quesado

Fora da empresa em que estagiaram, a comunicação em inglês era complicada, com a maioria dos locais a não saber falar essa língua. Ou seja, muitas vezes, tinham “que falar por gestos”. Apesar disso, e de sentirem alguma estranheza dos locais, foram bem tratados, e provaram a comida típica, que descreveram como muitas variações de pratos de iogurte. “Iogurte com tudo”, disseram. Até sopa com iogurte, onde eram “os legumes que safavam o sabor”. 

Três destes alunos, já no 12.º ano de escolaridade, vão repetir a experiência este ano, mas provavelmente em Espanha ou na França – as viagens do Erasmus+ para o Leste da Europa estão complicadas desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Graça Esteves, a professora responsável pelo programa no ensino profissional, explicou que este caso acaba por ser mais gratificante, porque é “mais positivo e desafiante”. “Os professores levam os alunos à cidade onde vão fazer o estágio, ficam dois ou três dias para ajudar na instalação”, e depois só voltam para os ir buscar, “o que sossega os pais”. O tempo que os jovens passam sozinhos, de um até três meses, ajuda a desenvolver outras competências, o que leva a docente a dizer que, desde que estes cursos foram integrados no Erasmus+, “a experiência tem sido muito boa”.

Maria de Lurdes Miranda, professora dedicada aos programas de mobilidade, diz que seria bom poder levar mais alunos lá fora, mas os aumentos de preços condicionam tudo. Apesar de ser cansativo, “especialmente para os professores que estão 24 horas a tomar conta deles”, os alunos têm tido “uma experiência fantástica”, principalmente quando ficam alojados com famílias locais. E a aprendizagem do inglês também beneficia, já que existe uma motivação extra para ser melhor.

A ESCA vai receber, no final de março, alunos de cidades da Croácia, Polónia, Grécia, Turquia e Roménia, países que os alunos bracarenses têm visitado. Entre os visitantes vão até estar dois alunos gregos que regressam a Braga pela segunda vez, “por conta própria, porque a experiência com os portugueses foi tão boa que querem voltar a estar connosco”.

Para além da Escola Secundária Carlos Amarante, o Agrupamento de Escolas Carlos Amarante inclui a EB2/3 de Gualtar, as EB1 e os jardins de infância de Gualtar, Sobreposta, S.Pedro, S. Mamede, Pedralva e Espinho.





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