Fotografia: DM

Feira dos Vinte honra a tradição e recupera o esplendor de outrora

O dia consagrado à festa de S. Sebastião voltou a valorizar a tradição e a encher de orgulho os responsáveis e as gentes da terra.

Rui de Lemos
21 Jan 2023

A vila de Prado voltou, ontem, a exibir todo o seu orgulho na secular Feira dos Vinte e na festa em honra de S. Sebastião, com ruas apinhadas de gente e um dos mais participados concursos de gado. A tradicional romaria que remonta ao reinado do rei D. Dinis recuperou o esplendor de outrora e voltou a marcar o arranque do calendário das festas do concelho de Vila Verde.  

«Esta é uma das festas mais tradicionais do concelho e uma das mais antigas, sendo aquela que estabelecia o preço que os animais iam ter ao longo do ano. Esta era uma feira de gado com muita expressão na região e que este ano voltou a ganhar uma assinalável dimensão e elevada participação, o que nos enche de orgulho e satisfação», resumiu e ilustrou, ao “DM”,  a presidente do Município, Júlia Fernandes. 

Outrora, os animais eram objeto de troca, dando à feira o cognome das «trocas», mas hoje reclamam «muita paixão e dedicação», afiança o criador Manuel António, oriundo de Santo Tirso, que levou ao concurso de gado um portentoso touro reprodutor galego, com quase duas toneladas de peso. «Venho aqui quase todos os anos porque esta feira é importante e boa para nós, mas isto é uma paixão e um vício que a gente tem, porque os prémios não dão para o trabalho. Muitos criadores desanimam porque tudo isto fica caro, mas pronto, corremos e vimos por gosto», suportou. 

Ontem, o concurso pecuário da Feira dos Vinte de Prado, que distribuiu prémios no valor global de 4 mil euros, atraiu a participação de mais de 70 criadores, oriundos de toda a região, desde Fafe a Ponte da Barca. «Este ano sim, a feira mete mesmo muito gado e bom. tem aqui gado mesmo valente», afiançava a vendedora de peugas e boinas Leonor Sousa, oriunda de Barcelos e presença assídua na romaria há mais de 40 anos. De resto, acrescenta a septuagenária, «não há feira como esta», mesmo que «o negócio corra fraquinho, porque o dinheiro está caro e os fregueses gastam pouco». 

Imagem de S. Sebastião desfilou entre a gente e deu bênção aos animais 

A dimensão religiosa da Feira dos Vinte ganhou, ontem, no dia de São Sebastião, uma expressão histórica. Pela primeira vez na sua secular existência, uma procissão em honra do santo mártir desfilou pelas principais artérias do centro da vila de Prado, dando a tradicional bênção aos animais. 

DM

A Feira dos Vinte tinha conhecido a primeira bênção dos animais em 2020 e, ontem, conquistou uma nova expressão religiosa. Pela primeira vez, saiu à rua a Procissão de S. Sebastião, com o andor do santo mártir e incorporando os membros da Confraria Gastronómica das Provas. «Este ano, pela primeira vez, integramos a bênção dos animais na procissão. Ou seja, a procissão realizou o seu percurso desde a Capela de Nossa Senhora do Bom Sucesso e ao longo da feira, até ao Largo Antunes Lima, onde estão os criadores e os animais das duas raças de bovinos – barrosã e minhota, mas em todos os locais onde há outros animais em exposição, desde cavalos a outros, para a procissão para realizar a respetiva bênção», ilustrou ao “DM” o pároco João Alberto Correia. 

O Rei Lavrador instituiu várias feiras francas associadas às festas de mártires e santos, que já na época tinham bastante expressão popular. Entre estas, encontra-se a Feira dos Vinte de Prado, que há mais de 700 anos começou mesmo por ser conhecida como “Feira de S. Sebastião”. Mantendo sempre a sua forte expressão junto da gente humilde do campo, ligada às lides agrícolas e dos animais, a primeira festa do ano no concelho de Vila Verde, assume-se como «um momento marcante de fé e de trocas comerciais». 

O santo mártir dos primórdios do cristianismo, que deixou a sua marca de fé em Roma e que tem o seu nome associado à luta contra a fome, peste e guerra, continua a registar forte devoção popular na vila de Prado e concelhos vizinhos. «Neste dia da festa, muita gente continua a aproveitar para fazer e cumprir as suas promessas, mas também para vir desfrutar da romaria», valoriza o padre João Alberto Correia.





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