Fotografia: João Pedro Quesado

A Igreja Sinodal deve ter uma pastoral “para hoje”

O padre e teólogo italiano Armando Matteo coordenou a jornada de formação do clero desta sexta-feira, sobre a “Pastoral 4.0”.

João Pedro Quesado
20 Jan 2023

O Sínodo é importante para a Igreja melhorar a forma como leva a cabo a sua missão, mas não se pode cair na tentação “tradicionalista” de querer criar nem o cristianismo, nem a pastoral perfeita. Foi essa umas frases-chave do padre e teólogo Armando Matteo, durante o colóquio da tarde desta sexta-feira.

O Espaço Vita recebeu, durante todo o dia, a jornada de formação para o clero, cujo tema foi “Pastoral 4.0: Pensar o futuro da Igreja ou construir a Igreja do futuro?”. A tarde foi ocupada com um colóquio que procurava perceber se a Igreja sinodal é mito ou utopia, com as perguntas da sessão a cargo dos sacerdotes Tiago Freitas, da Arquidiocese de Braga, e Amaro Gonçalo, pároco da Senhora da Hora, em Matosinhos, na Diocese do Porto

O Pe. Armando Matteo, autor de livros como “Pastoral 4.0”, “Converter Peter Pan” e “A Igreja do futuro”, considera que “a história que vivemos hoje não é o apocalipse” para a Igreja, e que esta deve criar “a pastoral para hoje”.

Matteo, que também é secretário da Secção Doutrinal do Dicastério para a Doutrina da Fé, explicou depois ao Diário do Minho que, para se chegar à Igreja Sinodal, é necessário converter os adultos à fé – ligando o tema do colóquio da tarde às conferências da manhã, onde se falou das igrejas vazias de adultos e da falta de vontade destes em se assumirem como adultos.

“O problema é que, quando os adultos não vivem como adultos, os jovens não podem ser jovens”, diz, acreditando que o “défice de educação” e o “défice de transmissão da fé” existentes no mundo actual são consequências desta recusa dos adultos.

“Tem que haver um diálogo inter-geracional, temos que ter adultos e jovens a falar. Ou seja, a primeira tarefa da Igreja é falar para estes adultos e comunicar a fé de outra forma. No passado, podíamos dizer que acreditar significava ter um consolo, ter uma palavra para uma vida muito difícil. Acho que podemos agora apresentar o Cristianismo como uma experiência de alegria, uma alegria real, não uma alegria material”, disse.

Paralelamente, depois do Pe. Amaro Gonçalo trazer o destaque da Jornada Mundial de Juventude (JMJ), que decorre em agosto em Lisboa, à mesa, Armando Matteo sublinhou que o evento recorda que “a saúde da sociedade é medida pela atenção aos jovens”, e que, num momento em que a condição do mundo juvenil é “desastrosa”, os jovens são “convocados como protagonistas”.

Apesar disso, alertou que a JMJ inaugural, apesar de fazer “história”, não fez “escola”. Isto é, as paróquias não mudaram, nem mudou a forma como a Igreja fala com os jovens. E realçou que “uma sociedade que não se ocupa do bem-estar dos jovens é uma sociedade sem futuro”.

Mas, voltando aos adultos, “pode-se viver como adulto, redescobrindo que para nós, seres humanos, a felicidade não é só receber, mas sobretudo dar”. A pergunta a fazer não é “quem sou eu?”, mas sim “porque sou eu que sou chamado a fazer feliz e a quem devo trazer felicidade?”. “Este é o segredo da vida”, diz.

Significa isto que a Igreja deve mudar a sua pastoral, de acordo com o teólogo italiano. Porque “a Igreja hoje não é mãe” e, “se a Igreja não tem o interesse dos adultos, não consegue chegar aos jovens, aos filhos”, nem sequer existe a tal “transmissão da fé”.





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